Palavras Diversas

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Tucanos tentam seduzir jovens com idéias caducas

Aécio recusou-se a fazer o teste do bafômetro no Rio, mas posa de paladino da moralidade

A propaganda eleitoral do PSDB que foi ao ar esta semana, não trouxe quaisquer novidades ao cenário partidário, nem tampouco novas idéias para compartilhar com o Brasil, conservadoramente apostou nas figuras conhecidas e para lá de carimbadas, FHC, Serra, Aécio, Álvaro Dias e Sérgio Guerra.

Para alguns analistas a peça veiculada serviu para o alto comando do partido fazer as pazes com o governo FHC, renegado nas últimas três eleições por Serra, duas vezes e por Alckmin em 2006.

Fora isso pôde-se perceber o destaque dado a chamada “social democracia” nas imagens junto ao nome dos tucanos, mera publicidade sem finalidade.

O filme transmitido parece fazer parte de um bem ensaiado esforço editorial para erigir uma imagem de estadista para FHC e definir a importância de seu governo para aquilo que o mesmo acredita ser a pedra fundamental da obra que gerou a “modernidade do estado brasileiro”, com lançamento de livros, como de de Miriam Leitão, e aparições cada vez mais frequentes de FHC em jornais, tv’s, documentários (sobre a descriminalização das drogas), internet, com declarações sobre qualquer assunto.

Mas sobretudo há um grande embate travado na grande imprensa brasileira: o projeto de esquecimento de Lula. FHC é cada vez mais apresentado como aquele que firmou o Brasil de hoje.  Além disso, mundo afora, o ex-presidente tucano faz o que pode para imputar a Lula um atraso que enxerga no Brasil, em uma visão muito peculiar do que percebe ser o país.

Sem querer entrar no mérito de comparações entre os dois ex-presidentes e analisar apenas o programa político do PSDB, faço algumas considerações que acredito ficaram muito claras.

Os tucanos apostam no esquecimento coletivo da tragédia que se configurou o governo de FHC, principalmente no segundo mandato, os jovens, por conta disso, se tornam os maiores alvos, pois não tinham idade suficiente para lembrarem o que significou aquele período para a vida de seus pais. Tampouco conseguirão ler ou assistir na imprensa conservadora algo que exponha as crises econômica e social pelas quais o Brasil passou, com o desemprego a níveis altíssimos, salários arroxados, privatizações escandalosas e uma crescente precarização das condições de trabalho, tudo para seguir a cartilha ditada pelo FMI, que precisou socorrer o país três vezes, para evitar que quebrasse durante os oito anos de governo do PSDB.

Para essa aposta ser bem sucedida a aposta é na imagem de Aécio Neves, político ainda jovem e com pretensões de se tornar presidente da república um dia, mais precisamente em 2014.   Mas o senador mineiro nada trouxe de novo para a disputa de idéias desde que assumiu uma cadeira de Senado em fevereiro.  Mostra simpatia, com uma postura de boa praça, mas sem qualquer discurso alternativo, apenas ancora-se naquilo que seu grupo político pratica e não avança em direção a lugar algum, posta-se sobre um passado nada positivo desempenhado por seu partido.  Consome-se nas grandes pretensões vazias de conteúdos novos, é uma juventude envelhecida por ideários caducos, o neoliberalismo ainda norteia, implicitamente, seus discursos, pois, como se sabe, o PSDB é um partido que aprofundou o neoliberalismo no Brasil, mas nunca teve a coragem de afirmar com todas as letras o que defendia.

Por último fica por demais escancarado nos dez minutos veiculados pelo partido uma série de descasos oportunos com a verdade.

FHC e sua meia “verdade”

Coube ao próprio FHC apresentar-se como o “criador” do Bolsa Família, originados de seus programas sociais. Mas o candidato a estadista, festejado pela imprensa brasileira e esquecido internacionalmente, esqueceu , por lapsos de vaidade incomensuráveis, de mencionar que a transferência de renda direta, condicionada pelo acesso a escola, atendia pouco mais de 5 milhões de famílias brasileiras e que Lula as transformou no maior programa desta natureza do mundo, mais do que dobrando as famílias atendidas, chegando a quase de 13 milhões de lares e cerca de 40 milhões de pessoas beneficiadas.  O próprio partido, quando pode, condena o Bolsa Família, como o senador Álvaro Dias, que já a chamou de bolsa de esmola, dando a entender que decretariam seu fim, caso vencessem as eleições.

Serra e sua mentira inteira

Serra, derrotado duas vezes, pela rejeição ao legado do governo do qual foi grande colaborador e pelo amplo apoio popular ao governo Lula, entre outras coisas afirma que não há um programa de desenvolvimento nacional elaborado pelo governo, desde 2003.  Talvez ele se refira ao projeto do qual foi expoente: “modernizar” a economia brasileira, desnacionalizando-a e gerando milhões de empregos (na China, Singapura, Indonésia, Coréia do Sul…).  A condenação que faz ao projeto de desenvolvimento nacional, ora em vigor, que já gerou cerca de 17 milhões de empregos formais desde que Lula assumiu em seu primeiro mandato, omite a perda de postos de milhões de empregos em setores importantes entre 1995 e 2002, como a quase extinção da indústria naval brasileira e quase inexistência de investimentos do Estado em infraestrutura, como na construção de hidrelétricas, refinarias, recuperação de rodovias, hidrovias e ferrovias.  Tudo porque o tal modelo de desenvolvimento, escondido na tv obedecia, fielmente, ao receituário neoliberal que o FMI, em troca de 45 bilhões de dólares de socorro financeiro, impôs ao Brasil e o governo do PSDB aceitou prontamente, curvado e falido moralmente.

Sérgio Guerra extrapolando as barreiras da credibilidade

Sérgio Guerra, presidente do partido e deputado por Pernambuco, falou em juros altos, “exportação de empregos”, crescimento baixo da economia, investimentos pífios do governo, inflação descontrolada e alta carga tributária… Mas não disse que os juros moderadamente elevados de hoje, eram estratosféricos no governo que defende, chegando a ficar a Selic acima de 40%! O que, consequente provocou uma freada brusca da economia, desarrumando, neste movimento, todo o setor produtivo, gerando desemprego, crescimento do PIB insignificantes, justamente para combater a inflação que crescia com os gastos do governo, chegando ao patamar de 12% em 2002!

Sem falar que a citada alta carga tributária foi uma criação dos tucanos, em um período de investimento zero do Estado e explosão do endividamento brasileiro, mesmo com as privatizações “queima de estoque” que, criminosamente, realizaram.  Sérgio Guerra foi longe demais na arte de distorcer a verdade e esconder-se da culpa, e crê que os investimentos em infraestrutura que estão sendo feitos atualmente não serão percebidos pelas pessoas em seu dia-a-dia, esqueceu-se do PAC, dos jogos Pan-Americanos do Rio 2007, Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas 2016, pré-sal etc, que alcançam valores que superam R$ 1 trilhão de reais.

Aécio o jovem perdulário, envelhecido por idéias caducas

Aécio centrou sua fala contra o desperdício do dinheiro público e a corrupção. Discurso genérico, mas esqueceu de justificar o gasto de R$ 1 bilhão de reais para construir a cidade administrativa do governo mineiro, em Belo Horizonte, que foi inaugurada com problemas estruturais sérios, o que provocou novas intervenções de engenharia e mais custos, notabilizando-se como um mal gastador, um perdulário do dinheiro público, cercado de suspeitas de superfaturamento.

A vida real das pessoas suplantando a peça política mal encenada

O PSDB não apresentou novidade politica alguma, pretende fincar-se no mesmo espaço que Serra conquistou para a oposição após as eleições de 2010, parece não ser capaz de ousar, buscar novos rumos programáticos. Talvez a invenção do PSD de Kassab e segunda opção eleitoral de Serra, force os tucanos a insistirem em uma plataforma, cada vez mais, conservadora, para não se verem isolados e sem qualquer agrupamento social que os sustente. Uma sequência de derrotas acachapantes costuma provocar divergências e discussões internas mais duras, o que parece ser o que ocorre hoje no ninho tucano, além de renovação de idéias e de quadros, o que não se percebeu na apresentação do horário eleitoral do PSDB, tampouco me sua atuação parlamentar.

Teriam os tucanos chances de atingir, seriamente, o governo Dilma e apagar o legado de Lula, considerando seu programa na tv e todo o esforço editorial levado a cabo por seus sócios da imprensa?

Hoje isso parece ainda distante, porque a vida real responde com fatos e desdobramentos do Novo Brasil que segue sendo construído diariamente.

No dia seguinte ao espetáculo de pessimismo assistido pelos brasileiros, a economia dava sinais muito positivos.  A Confederação Nacional do Comércio (CNC), estimou que entre setembro e dezembro serão criadas cerca de 250 mil novas vagas no setor, acrescentando que 50% destes temporários serão efetivados a partir de janeiro.

Não há propaganda enganosa que resista a argumentos tão poderosos, as pessoas comuns ao compreenderem o momento em que vivem, costumam responder com confiança no presente e esperança no futuro, não se curvam ao medo e ao pessimismo, gratuitamente.

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Um comentário em “Tucanos tentam seduzir jovens com idéias caducas

  1. Anonymous
    17/10/2011

    Aécio se recusou a fazer o teste do bafômetro imagine o teste do CHEIRÔMETRO?

    Curtir

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Publicado em 16/10/2011 por em politica.

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