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Viagem inesquecível: em La Paz me senti latino-americano, de fato

Las cholas no comércio ambulante pelas calles de La Paz

La Paz, a capital multicultural dos povos bolivianos 
La Paz é a capital multicultural da Bolívia, a cidade construída em uma altitude superior a 3.600 metros. Estar em La Paz, para quem vem de uma cidade situada ao nível do mar, a altitude não é um mero detalhe, alguns cuidados precisam ser tomados.

Evitar esforços e caminhadas longas nos primeiros dias é essencial para não sofrer com o mal da altitude, que provoca em algumas pessoas enjôo, náuseas e tonteiras.

Ainda no aeroporto de Cumbica já havia tomado uma pílula de soroche, medicamento que combate os efeitos indesejados da altitude, e que pode ser facilmente encontrado nas boticas bolivianas. Nas primeiras 24 horas em solo boliviano tomei mais 3 pílulas e pude suportar bem a altitude.

Chá e folhas de coca também estiveram presentes no meu primeiro dia. Aliás, este é um costume cultural na Bolívia e, também, no vizinho Peru, nas regiões altiplanas dos Andes. Geralmente os brasileiros confundem este costume tradicional, com o uso ilícito da cocaína, que tem entre seus itens a folha de coca.

Nada de anormal me ocorreu após o consumo do chá e das folhas. Pude suportar as íngremes ladeiras de La Paz, ressaltando que em nenhum momento cometi qualquer excesso, sempre caminhando comedidamente.

La Paz tem muitos atrativos, suas ruas estão lotadas de diversidade cultural, o indígena, Aymarás em grande parte, domina a paisagem. Em geral são pessoas reservadas e desconfiadas com los gringos.

O trânsito de La Paz é caótico, os carros são velhos e de manutenção ruim, a sinalização é confusa e pouco respeitada pelos motoristas. A buzina é o aviso de quem quer chegar a frente e vai passando. Os táxis são baratos, as corridas custam até b.10,00 no máximo, para corridas pelas redondezas do centro. Os melhores táxis, carros novos e confortáveis, são aqueles que fazem ponto no aeroporto de El Alto e na frente dos bons hotéis.

Uma corrida do aeroporto ao centro sai por b.50,00, mas geralmente o taxista cobra b.60,00, uma recusa por esse preço e já se chega ao preço justo do trajeto.

Tiwanaku
Estive em Tiwanaku, um importante sítio arqueológico situado a cerca de 70km de La Paz, em um caminho bonito, com os Andes nevados ao fundo, no trajeto passa-se por Loco Loco, a uma altitude superior a 4.000 metros.

Fiz este passeio de van, velha e repleta de indígenas que se locomovem das periferias para o centro. Este transporte é muito comum em La Paz, mas não destinado a turistas, fui na aventura para me misturar aos hermanos, mas existem muitas agências que fazem este trajeto, com um pouco mais de conforto. Pela passagem de ida paguei b.10,00 (dez bolivianos), cerca de R$ 2,50. Todas as vans que passam por Tiwanaku saem das proximidades do cemitério de La Paz.

Pois bem, Tiwanaku é patrimônio da humanidade, reconhecido pela UNESCO, administrado pelo governo boliviano. A área ao redor de Tiwanaku pode ter sido habitada desde 1500 a.C. como uma pequena vila agrícola. Acredita-se que, entre 300 a.C. e 300 d.C., tenha sido um centro moral e cosmológico ao qual muitos faziam peregrinações. As ideias de prestígio cosmológico são os precursores do poderoso império Tiwanaku.

As escavações revelam ainda pouco do que foi este povo, mas presenciar os imponentes muros, estátuas e vestígios desta histórica ocupação é uma experiência inigualável, se você está em La Paz, não deixe de ir até lá. O complexo arquelógico apresenta mais dois museus, Lítico e Cerâmico, em um pacote que custa ao turista b.80,00. Cada boliviano gasto vale a pena!

As imagens são belas e o lugar é mágico, o céu é azul bem forte, contrastando com a nuvens brancas e parece ter uma energia misteriosa.

A infraestrutura do local, de fato, não é das melhores, existem alguns restaurantes próximos, acabei almoçando em um que se localizava a cerca de 200 metros do sítio arquelógico e experimentei carne de lhama, ótima pedida para visitantes curiosos com a culinária local, como a carne alpaca se mostrou outra excelente opção. 

O uso de protetor solar é imprescindível no passeio, pois na altitude o sol castiga mais a pele e não se pode esquecer dos lábios, erro que cometi e passei os dias seguintes descascando a boca.

As ladeiras de tirar o fôlego
Pelas ladeiras de La Paz conheci o mercado popular, ótimo lugar para as compras de peças artesanais e típicas, os preços são ótimos, mas é bom saber que nada tem preço afixado, tudo é negociado e geralmente o primeiro preço é alto, nada que não possa ser negociado. Algumas lojas também não afixam preços em seus produtos e é difícil estar seguro do verdadeiro valor das mercadorias. Esta prática está associada a ciência do boliviano de que sua moeda é bastante desvalorizada em relação as moedas estrangeiras e o preço diferenciado para turistas estrangeiros fica implícito. Mas nada que torne o planejamento finaceiro da viagem uma ruína.

O mercado de las brujas, e seus fetos de lhamas, usados para feitiçarias do amor entre outras, são uma atração a parte, é um passeio imperdível.
O Museu da Coca é outro local bastante procurado no centro, é bem verdade que sua exposição é baseada em fotos e cópias de textos publicados em revistas, livros e jornais, mas como registro de sua excentricidade o passeio já valha a pena.

Estive também no palácio do governo, na esperança de ver Evo Morales, a Plaza Murillo é um local de muita aglomeração e beleza,  onde se localizam as sedes do executivo e do legislativo boliviano.

Para passeios a pé no centro de La Paz é bom ter em mente que será preciso enfrentar ladeiras muito íngremes e toda calma é necessária.

Durante os dois dias que caminhei por La Paz não presenciei violência, vi pessoas comuns, geralmente pobres, mas não miseráveis, trabalhando pelas ruas da cidade. O boliviano é muito determinado em vencer um estado de pobreza histórico, talvez por conta disso os visitantes estrangeiros, as vezes, confundem este comportamento com uma antipatia genética do andino. Bolivianos não sorriem por qualquer motivo, isso é fato, mas também sabem ser educados e prestativos, são pessoas interessantes de se conhecer e observar como, diariamente, enfrentam todos os seculares problemas estruturais de seu país com bastante força de vontade. Talvez lhes faltem mais unidade, mas isso é algo que somente um boliviano possa melhor interpretar. 

Mas enfim, uma viagem inesquecível e muito enriquecedora culturalmente, em que me senti, pela primeira vez, um latino-americano.

Valeu muito a pena!

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Um comentário em “Viagem inesquecível: em La Paz me senti latino-americano, de fato

  1. Lilian
    04/09/2011

    Gostei de ver La Paz se descortinando sob sua perspectiva, um universo, ao mesmo tempo, tão próximo e tão distante.
    O texto despertou a vontade de conhecer a Bolívia e principalmente conferir a riqueza de sua diversidade cultural.

    Curtir

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Publicado em 04/09/2011 por em Uncategorized.

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