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FGV aponta recuo histórico do catolicismo no Brasil

IBGE já havia mostrado um Brasil um pouco menos católico em 2000

Segundo pesquisa divulgada pela FGV, o catolicismo apresentou o maior recuo do total de fiéis que declaram alguma fé religiosa, a queda foi de 5,4% p.p. em apenas seis anos. 

Marcelo Néri, da FGV declarou: “Chegamos em 2009 ao menor nível de adeptos ao catolicismo na nossa história estatisticamente documentada. (…) Observamos a queda na proporção de católicos em todas as faixas etárias. Essa mudança foi menor para os grupos com idade mais avançada e maior entre os jovens” .

Para se ter uma idéia sobre o tamanho desta queda sabe-se que entre 1940 e 1980, a taxa de adesão à religião católica apresentou queda de 6 pontos percentuais e passou de 95,01% para 89,19%, em um espaço de tempo de quatro décadas.

Nos últimos vinte anos, no entanto, a perda de fiéis ganhou fôlego e a adesão caiu 14 pontos percentuais. Em 2000, os católicos representavam 73,9% dos brasileiros.
A pesquisa ainda discorre sobre o crescimento dos segmentos evangélicos, dos sem religião e ateus e sobre questões sócio-econômicas daqueles que seguem (ou não) uma religião no país.

Sem fazer qualquer tipo de análise aprofundada sobre o dado apresentado pela FGV e divulgado pela BBC Brasil, pode-se questionar se o encolhimento crescente no número de adeptos ao catolicismo poderia estar ligado a uma descrença com os rumos da Igreja no país e o avanço cada vez mais rápido de evangélicos entre os mais pobres, principalmente nas periferias das grandes cidades.

A pesquisa ainda afirma que o catolicismo continua sendo a religião predominante entre os mais ricos, mas que entre os mais pobres começa a perder fiéis, apesar de liderar nos dois segmentos. 

Confira:

Proporção de católicos volta a cair no Brasil; crescem evangélicos e ateus
Segundo estudo da FGV, católicos são 68,4% da população brasileira, contra 73,8% em 2003

A Igreja Católica voltou a perder adeptos no Brasil, enquanto cresceu a quantidade de evangélicos e de pessoas que se declaram sem religião, aponta estudo publicado nesta terça-feira pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas.

Segundo o Novo Mapa das Religiões, coordenado pelo pesquisador Marcelo Néri, os católicos passaram de 73,8% da população em 2003 para 68,4% em 2009 – uma queda de 5,4 pontos percentuais.

Ao mesmo tempo, os evangélicos passaram a representar 20,2% da população, contra 17,9% em 2003. O grupo dos “sem religião” (ateus e agnósticos), que era de 5,1% em 2003, subiu para 6,7% em 2009.

O levantamento foi feito a partir de dados de mais de 200 mil entrevistas da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do IBGE.

A queda na participação dos católicos na população vem sendo lenta, porém constante, desde o início do século passado, mas havia se mantido estável na medição anterior da FGV, entre 2000 e 2003.

Estudo Novo Mapa das Religiões, da FGV
“Chegamos em 2009 ao menor nível de adeptos ao catolicismo na nossa história estatisticamente documentada”, diz o estudo. “Observamos a queda na proporção de católicos em todas as faixas etárias. Essa mudança foi menor para os grupos com idade mais avançada e maior entre os jovens.”

Tal redução abriu espaço tanto para ateus e agnósticos como para outras crenças.

“A (igreja evangélica) Assembleia de Deus já é a segunda maior igreja do Brasil (em número de adeptos), com grande importância nas classes D e E”, explicou Marcelo Néri à BBC Brasil. “E a crença espírita já é a segunda maior na classe AB.”

No caso dos evangélicos, o crescimento relativo de adeptos se dá em todas as faixas etárias, embora de maneira mais pronunciada entre os jovens.

Na emergente classe C, os evangélicos representam 21,5% da população – mais do que a média nacional (20,2%).

Religião e renda
O catolicismo é a religião é mais presente nos níveis extremos do espectro de renda (72,7% na classe E e 69% na AB), enquanto as crenças evangélicas pentecostais se popularizam nos níveis intermediários inferiores da distribuição de renda (representa 15,3% na classe D). Os evangélicos tradicionais estão concentrados na faixa AB (8,35%) e C (8,7%).

No que diz respeito à divisão geográfica, a maior concentração de católicos é nos Estados do Nordeste brasileiro – no Piauí, 87,9% da população é católica, contra 68,4% da média nacional.

“Os dados demonstram claramente que a velha pobreza brasileira (como áreas rurais do Nordeste, mais assistidas por programas sociais) continua católica, enquanto a nova pobreza (como a periferia dessasistida das grandes cidades) estaria migrando para as novas igrejas pentecostais e para os segmentos sem religião”, diz o estudo da FGV.

Ao mesmo tempo, porém, a renda familiar per capita dos evangélicos é 6,9% inferior à dos católicos – justamente pelo fato de o catolicismo ainda ter presença relevante na elite econômica brasileira.

Com relação aos gêneros, as mulheres brasileiras, ao mesmo tempo em que são mais religiosas do que os homens, hoje são menos católicas: entre os que possuem religião, 75,3% dos homens são católicos; entre as mulheres, esse índice cai para 71,3%.

“Enquanto os homens abandonaram as crenças, as mulheres trocaram de crença, preservando mais do que eles a religiosidade”, diz a pesquisa.

Paula Adamo Idoeta / BBC Brasil

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Publicado em 24/08/2011 por em Uncategorized.

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