Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

O direito à diversidade na rede: Informação sem dono, versões sustentáveis, mesmo que distintas…

Os obstáculos, um ano após publicação deste texto, continuam os mesmos, apesar dos significativos avanços…
PNBL: para não deixar cair no esquecimento, ferramenta essencial para democratizar a internet

O acesso a informação é um direito dos novos tempos, pois aqueles que não podem ter a informação ao seu alcance, livre, ética e em tempo real, também não tem cidadania plena e devem, precisam, reclamá-la.
Assim como o direito a liberdade, ao trabalho, a educação, a moradia, ao saneamento básico entre tantos outros, o direito a informação é hoje um recurso que confere, junto aos anteriormente citados, condições dignas de vida.
O que se acessa nos dias atuais, em vias de regra, é uma informação “tratada” e disseminada seguindo padrões de consumo industrial em larga escala: padronizada e verticalizada de cima para baixo, ignorando intencionalmente diferenças culturais, regionais, sociais etc. A informação é lançada como produto comercial para alcançar, em primeiro lugar, resultados econômicos, políticos e culturais de acordo com os objetivos dos grandes grupos de comunicação em jogo, ao menos aqueles que se destacam atualmente nessa prática daninha : Veja, Época, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Organizações Globo, Zero Hora são alguns tristes exemplos.

A informação é deturpada, alinhada a interesses que estão, muitas vezes, longe do intuito de informar as pessoas, mas fazê-las crer em determinadas teses, versões ou “verdades absolutas”. A ética jornalística é jogada no lixo, não se criam as oportunidades de se debater assuntos que regem a pauta da mídia, em condições mínimas de igualdade, frente a opinião pública. Com frequência, não se dá nem a oportunidade de ouvir quem discorda, ou de emitir qualquer outro ponto de vista.
A infomação veiculada desta forma desinforma, deturpa e interfere negativamente na maneira como a sociedade percebe alguns fatos, como interage ou reage frente ao que é exposto.
É preocupante assistir a maneira como os grandes grupos de comunicação do país, manipulam e soterram qualquer possibilidade do cidadão comum ter acesso a uma informação que atente para os preceitos mínimos do bom jornalismo, que cumpra o papel social de informar e viabilizar o debate.

O contraditório é um elemento necessário a ser praticado. Qualquer grupo/empresa de comunicação pode ter suas defesas e/ou preferências políticas , creio, seja algo legítimo de fazê-lo, mas não pode deixar de produzir o debate das idéias, destinando espaços para aqueles que discordam de suas crenças, possam se manifestar. É democrático que assim seja, dá a oportunidade das pessoas formarem suas opiniões, sem serem levadas a isso pelos infelizes artifícios que, descaradamente, se utilizam constantemente.

Por tudo isso é fácil observar que o direito a uma informação minimamente embasada e relevante não é ainda um bem comum. O que temos, em geral, é um direito à “desinformação em massa”, recebendo diariamente toneladas de informações fabricadas em larga escala para moldar um pensamento econômico, político e cultural dominante, tornando exógino todos aqueles que discordem ou não assimilem o discurso corrente.

Há caminho alternativo viável à disseminação da informação além das que são oferecidas pelos grandes portais de internet, TV’s, rádios e jornais impressos?
É uma pergunta fácil de responder, óbvia, ululante…O incremento do uso da internet para a busca de informação e, consequência disso, da popularização dos blogs independentes, parece ser o caminho viável, próximo e real da uma grande (r)evolução da informação ao alcance de todos. Os blogs disseminam todo tipo de informação, pontos de vista, “desenterram” temas escondidos da pauta dos grande grupos de comunicação e os lançam na blogosfera. É um meio promissor de disseminação de informações diversas: econômica, política, cultural entre tantas outras.

Mas como tornar possível o direito a informação diversa ao público em geral?
Primeiro, enfrentando os cartéis da internet banda larga, levando a grande rede a todos, oferecendo às pessoas ferramentas que possibilitem à elas acessar um ambiente que “despeja” uma infinidade de informações, indistintamente, a preços baixos ou subsidiados pelo Estado.

O acesso em massa à internet possibilitaria a criação de um ambiente de grande concorrência no negócio da comunicação. Por mais que grandes grupos possam oferecer informação em maior quantidade, teriam inúmeros outros agentes independentes oferecendo versões e ângulos diferentes sobre a mesma informação veiculada. Informação sem dono, versões sustentáveis, mesmo que distintas…


Tudo isso ainda é muito recente, a discussão (também) é política, mas para a (r)evolução não ceder, o plano nacional de banda larga é condição indispensável para continuar avançando na questão da informação como um bem comum, um direito de cidadania. Há que se saudar as iniciativas de blogueiros independentes, mesmo os que se hospedam em grandes portais da internet, pois mantém suas opiniões e versões em ambientes hostis a disseminação da informação relevante e pouco destacada, ou do exercício democrático da discordância e do contraponto.
O movimento desses blogueiros independentes aponta um caminho promissor, a criação da ALTERCOM* é a materialização da organização política desse grupo, não é somente anarquia, como muitos se utilizam do termo para desqualificar o crescente movimento dos blogs independentes, é Revolução mesmo!

* Saiba mais

Texto publicado originalmente em 27/07/2010

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Publicado em 30/07/2011 por em Uncategorized.

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