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Zelaya foi vítima de golpe, confirma, indiretamente, Comissão da Verdade de Honduras

Para a imprensa brasileira Zelaya que era o golpista e Lula não tinha o direito de se meter…
A notícia abaixo, apesar de controversa, pois a 

Comissão da Verdade de Honduras cita ilegalidade no ato que afastou Zelaya do poder em Honduras, mas não afirma categoricamente o nome desta “ilegalidade”, golpe de estado, revela tardiamente o quanto estava correta a posição do Itamaraty e o quanto a mídia posicionou-se ao lado de golpistas para declamar a democracia presente no ato condenável.

Quase toda a mídia latinoamericana apressou-se em dizer que Zelaya caíra porque tentou dar um golpe de estado ao propor um plebiscito para permitir a reeleição, o que não constava na Carta Magna hondurenha.

Tal intenção já era suficientemente justa para retirada do poder, a força, do presidente do país.  Os comentaristas politicos de O Globo, JN, Veja, Época entre outros menos cotados, afinou o discurso, condenou Zelaya pelo golpe de “tentar consultar a população” e de “bônus” atacar a política externa independente de Celso Amorim, afirmando que o Brasil não devia estar ao lado de um governo com aspirações antidemocráticas.
Os EUA apoiaram o novo governo, golpista.
Dois anos depois a verdade aparece, mesmo que tímida: Zelaya foi deposto, o Brasil estava certo em sua defesa, toda a mídia golpista da região errada e os EUA foram cúmplices do golpe.
Leia também:
E foi golpe…
Comissão da Verdade de Honduras conclui que destituição de Zelaya do poder foi ilegal

O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya foi vítima de uma ação ilegal de autoridades de Estado, há dois anos, que levou o país a viver sob tensão e momentos de instabilidade. Os especialistas da Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC) ressalvaram que os integrantes das instituições envolvidas não estavam respaldados pela lei para retirar Zelaya do poder. Na ocasião, a comunidade internacional interpretou o ato como sendo um golpe de Estado. No entanto, o documento do TRC não relaciona o que houve em Honduras com a expressão golpe.


A conclusão está no relatório da comissão, divulgado nesta quinta-feira (7) em Tegucigalpa, capital hondurenha. Por um ano, um grupo de especialistas estrangeiros e hondurenhos analisou o episódio envolvendo Zelaya. Segundo eles, foram 50 mil horas gravadas de trabalho em 15 linhas distintas de investigações.

Zelaya foi destituído em 28 de junho de 2009, quando representantes do Parlamento, da Suprema Corte e das Forças Armadas o retiraram da residência oficial ainda de madrugada, obrigando-o a seguir para Costa Rica. Meses depois, em meio à cobrança internacional, ele retornou a Tegucigalpa e ficou abrigado na Embaixada do Brasil em Honduras por quase quatro meses.

Em maio de 2010, a comissão foi criada sob o comando do ex-vice-presidente da Guatemala Eduardo Stein. Integraram o grupo a reitora da Universidade Nacional Autônoma de Honduras (Unah), Julieta Castellanos, o jurista Jorge Omar Casco, o advogado Michael Kergin Amadilia e a diplomata peruana María Zavala.

De acordo com o documento, o período que se seguiu em Honduras até a posse do presidente eleito, em novembro de 2009, Porfirio Pepe Lobo, houve um “governo de fato”. O texto destaca ainda que Zelaya foi retirado do poder com ações de “captura e expulsão forçada”. A comissão ressalva também que o objetivo do trabalho feito pelos especialistas é buscar a reconciliação e a legitimidade.

Em maio deste ano, Zelaya retornou a Honduras depois de 16 meses de exílio, na República Dominicana. Ele mora na capital de Honduras e se mantém atuante na política local. Pepe Lobo foi o principal articulador para encerrar a crise envolvendo Zelaya, concedendo a anistia.

O processo de negociação em torno de Zelaya foi finalizado com a decisão da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) de encerrar o processo de suspensão de Honduras da entidade. A punição ocorreu em 4 de julho de 2009, depois que Zelaya foi deposto. Para a OEA, houve um golpe de Estado gerando a transgressão dos princípios democráticos.

O governo brasileiro, no começo deste mês, reaproximou-se de Honduras por meio da nomeação do embaixador no país. O escolhido foi o diplomata de carreira e ministro acreditado como embaixador Zenik Krawctschuk.

Renata Giraldi / Agência Brasil

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Publicado em 09/07/2011 por em Uncategorized.

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