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Itamar Franco morre em São Paulo aos 81 anos

Político de centro, que transitou na esquerda e terminou sua trajetória política na direita


Morreu neste sábado, em São Paulo,  Itamar Franco, aos 81 anos, o político cumpria mandato até janeiro de 2019 no Senado Federal. 

Trajetória política
Prefeito de Juiz de Fora (MG) e senador em três oportunidades, Itamar Franco chegou à Presidência após a conturbada renúncia de Fernando Collor de Mello, em 1992. Após deixar o Planalto, foi governador de Minas Gerais.
Na década de 50,  filiou-se ao PTB. Com o golpe militar em 1964 filiou-se no MDB, e conquistou seu primeiro mandato eletivo, a prefeitura de Juiz de Fora, em 1967. 
No pleito de 1972, foi reeleito, mas deixou o cargo um ano depois para concorrer, com sucesso, a uma vaga no Senado – sendo reeleito em 1982, pelo PMDB.
Em 1986, filiou-se ao PL, mas foi derrotado por Newton Cardoso, do  PMDB.
Participou da Assembleia Nacional Constituinte e das campanhas para a volta das eleições diretas. Em 1989,  filiou-se ao desconhecido Partido da Reconstrução Nacional (PRN), para ser candidato à vice na chapa de Fernando Collor de Mello.

Na vice-presidência, Itamar criticou atos de Collor, como os processos de privatizações. Com o início da campanha pelo impeachment do presidente, Itamar ganhou mais espaço político.

Em setembro de 199,2 Itamar assumiu a vaga interinamente. Três meses depois, o presidente renunciou ao cargo e o mineiro foi conduzido à Presidência.

Itamar presidente
Itamar Franco assumiu o país com uma inflação acima de 1.000%.

Em meio à crise, o presidente trocou o comando do Ministério da Fazenda e durante seu governo foi implantado o Plano Real.

Com o plano, era criada uma unidade real de valor (URV) para todas as transações comerciais. 

O modelo conseguiu atrair capitais estrangeiros e conseguiu derrubar a inflação. Apesar dos custos sociais que o país teve que pagar pelo controle inflacionário, a medida estabilizou a economia brasileira.

Itamar foi embaixador em Portugal e na Organização dos Estados Americanos (OEA).

Mágoa

Itamar Franco afirmou canal Globonews, em uma série de entrevistas com ex-presidentes da República, que seus feitos durante o governo não eram lembrados pelos críticos na atualidade. 
Esqueceu-se e, aliás, se esquece, de que eu entreguei o País democraticamente. Ninguém fala, ninguém fala. Só falam de mim ‘é o cabelo (caracterizado por um topete), é o não sei o que, é o Carnaval’, essas bobagens. Mas esqueceram que eu fiz uma reunião logo de início, no Alvorada, com todos os presidentes dos partidos e fiz a seguinte proposta, a todos: ‘olha, eu assumi o governo pela Constituição e pela vontade de Deus, mas estou disposto, se os senhores entenderem, eu estou pronto a convocar as eleições'”.

O crítico feroz de FHC
Itamar foi um duro crítico da política de Fernando Henrique Cardoso. 

“Jamais ele (FHC) disse que seria candidato à reeleição. Eu considero até hoje um grande mal, quebrou a ordem constitucional brasileira. Na reeleição, você não distingue se é presidente, se é candidato”. 
Além disso, ele afirmou que, logo após deixar Brasília, ficou incomodado com o fato de o real ser associado apenas a FHC, e não ao seu mandato. “Se ele quiser ficar com o Plano Real para ele, ele fica”.

Nas eleições de 1998 não apoiou a reeleição do tucano FHC. Decidiu, então, tentar o governo de Minas Gerais, e saiu-se vitorioso.
No primeiro dia de governo, Itamar decretou a moratória para renegociar a dívida do Estado, gerando uma crise com o governo central, o que gerou retaliação por parte do governo FHC, que suspendeu repasses como o do Fundo de Participação dos Municípios.

A retomada da CEMIG

Itamar retomou, por meio judicial, o controle acionário da estatal elétrica Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), parcialmente vendida pelo governo anterior, de Eduardo Azeredo (PSDB).

A saída pela direita da cena política
Em 2009  Itamar Franco filiou-se ao PPS e declarou apoio a Aécio e criticou o presidente Lula e o PT. 
Mesmo com todas os conflitos que travou com a cúpula paulista do tucanato, Itamar aliou-se ao PSDB nas eleições de 2010, mas não deixou de opinar contra a candidatura de Serra, que considerava fadada ao fracasso.
No Senado foi um dos que articulou contra a possibilidade Lula voltar a presidência:
“Quem já foi presidente duas vezes não poderia concorrer mais. Vamos dar oportunidade a outras pessoas. O cidadão fica oito anos no poder e quer voltar?”.

A descoberta da leucemia
Em 21 de maio de 2011 foi diagnosticado com leucemia em estágio inicial. Ele se licenciou do Senado por 30 dias e se internou no Centro de Hematologia e Oncologia do hospital Albert Einstein, em São Paulo.

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Publicado em 02/07/2011 por em Uncategorized.

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