Palavras Diversas

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Liderança brasileira e aliança progressista na América do Sul: As pedras no sapato dos EUA na região

Nos movimentos políticos não há coincidências ou achados “caídos do céu” para demonstrar, em causa e efeito, intenções subscritas em discursos, apostas e ações:
Os EUA perderam espaço político na América do Sul na última década, vêem seus interesses ameaçados por governos populares, em sua maioria, que administram as principais economias e democracias da América do Sul: Brasil, Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia, Uruguai e Paraguai.
Hoje apenas a Colômbia pode ser considerada uma aliada de “todas as horas” de Washington na região.

Serra, tentou emplacar junto ao Departamento de Estado Americano, a idéia de que seria capaz de formar um governo pró-EUA e o quanto isso poderia significar para desequilibrar as forças no continente, procurou apoio para sua candidatura, como revela o Wikileaks.
Sem o Brasil liderando o bloco de países e, pior, passando para o outro lado, o destino dos governos populares sulamericanos poderia estar ameaçado, em sua maioria, e o continente voltar a ser entreposto dos interesses políticos e econômicos dos americanos, tal como ocorreu, mais recentemente, nos anos 1990.

Visão de Serra, do atraso e do alinhamento subserviente:

Valenzuela ( subsecretário para assuntos do hemisfério ocidental do governo americano) após encontro privado com Serra, teve a impressão que o tucano seria um presidente mais afeito aos EUA. “Serra alertou que a corrupção e a radicalização estavam crescendo no partido governante, o PT, e sugeriu que como presidente iria pressionar por uma política externa mais alinhada com os Estados Unidos.
Carta Capital

Visão de Samuel Pinheiro Guimarães , visão do novo protagonismo internacional do Brasil:

“(Desenvolvemos) uma política altiva, ativa, soberana, não intervencionista, não impositiva, não hegemônica, que luta pela paz e pela cooperação política, econômica e social, em especial com os países vizinhos e irmãos sul-americanos, começando pelos países sócios do Brasil no Mercosul, um destino comum que nos une, com os países da costa ocidental da África, também nossos vizinhos, e com países semelhantes: com mega-populações, mega-territoriais, mega-diversos, mega-ambientais, megaenergéticos, mega-subdesenvolvidos, mega-desiguais. Nossos verdadeiros aliados são nossos vizinhos, daqui e de ultramar, com os quais nosso destino político e econômico está definitivamente entrelaçado, e nossos semelhantes, os grandes Estados da periferia.
Carta Maior

A percepção americana no continente, a percepção da perda de espaços e da necessidade de dialogar com o antagonismo regional para preservar seus interesses:

Pela primeira vez vem a público um documento do Departamento de Estado dos Estados Unidos que qualifica o Mercosul como um organismo “antinorteamericano”. Não consta nos arquivos públicos nenhuma menção neste sentido por parte de uma autoridade do Departamento de Estado. O documento ao qual o Página/12 teve acesso via Wikileaks revela o conteúdo de uma reunião de embaixadores estadunidenses no Cone Sul, realizada no Rio de Janeiro (2007). Segundo o texto final do encontro, a chave que, segundo os EUA, muda a natureza do Mercosul é a decisão de incorporar a Venezuela aos quatro membros originais: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “A entrada da Venezuela no Mercosul altera claramente o balanço e a dinâmica da organização”, diz o texto. “O Mercosul gradualmente foi transformando-se de uma união aduaneira imperfeita em uma organização mais restritiva e anti-norteamericana”.

Carta Maior

Estas impressões reforçam o risco que o país e o continente sulamericano corriam a partir das eleições presidenciais brasileiras de 2010.
O Brasil é liderança continental e entre as nações emergentes, a derrocada da política externa vigente poderia representar um enorme prejuízo para o bloco de países que, a reboque de ideais progressistas, fazem coro por uma nova ordem mundial, que se unem em esforço comum, na diversidade de problemas que se apresentam e pressionam os países centrais pelo reconhecimento de uma nova agenda política, econômica e social.
Estar unido em bloco, por interesses comuns a todos, não é estar unido contra os EUA, a priori, mas a favor de um novo concerto mundial, sul-sul, periférico para o centro, ouvindo vozes dissonantes no todo.
Lula reelegeu-se e elegeu sua sucessora, Kirchner elegeu sua sucessora, Chávez reelegeu-se, Morales reelegeu-se, Tabárez Vazques elegeu Mojica…As experiências políticas se sucedem com êxito e causam incômodos a governança americana na região e aos seus representantes regionais.

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Um comentário em “Liderança brasileira e aliança progressista na América do Sul: As pedras no sapato dos EUA na região

  1. A consolidação do MERCOSUL com propósito de união econômico-social entre os Latinos Americanos, é uma grande saída para o fortalecimento de nosso povo socialmente, e ainda fazermos frente aos mercados mundiais de comercio.

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Publicado em 09/03/2011 por em América Latina, Internacional, politica.

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