Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

noites galos e quintais

arranquei as paredes da casa claro como se fosse óbvio ainda vivo a procura dos olhos de mar de uma menina que ainda mora em bento e mesmo viva diz que morta está arranquei os telhados do teto como se não fosse o óbvio alice ainda está em são francisco com saudades dos anos 70 ouço belchior

Galos, Noites e Quintais
Belchior

Quando eu não tinha o olhar lacrimoso,
que hoje eu trago e tenho;
Quando adoçava meu pranto e meu sono,
no bagaço de cana do engenho;
Quando eu ganhava esse mundo de meu Deus,
fazendo eu mesmo o meu caminho,
por entre as fileiras do milho verde
que ondeia, com saudade do verde marinho:
Eu era alegre como um rio,
um bicho, um bando de pardais;
Como um galo, quando havia…
quando havia galos, noites e quintais.
Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo
o mal que a força sempre faz.
Não sou feliz, mas não sou mudo:
hoje eu canto muito mais

arranquei os retalhos do corpo claro como se fosse óbvio panso quentes não me servem para nada vivo a procura de um tempo mesmo ainda vivo ele diz que morto está eram 25 anos de sonho e sangue muito mais sangue que sonhos no teatro real além da mesa posta quando judas não se furtou de carregar a sua cruz e os restos mortais da santa ceia me deram hoje o couro cru a carne viva na memória de olga como se fosse óbvio ter sobrenome savary

MAR I

para ti queria estar
sempre vestida de branco
como convém a deuses
tendo na boca o esperma
de tua brava espuma.
Violenta ou lentamente o mar
no seu vai-e-vem pulsante
ordena vagas me lamberem coxas,
seu arremesso me cravando
uma adaga roxa.

MAR II

Amo-te, amor-meu-inimigo,
de mim não tendo piedade alguma.
Amo-te, amor-sol-a-pino,
feroz, sem nenhuma sombra.
Estás inteiro em mim
e vou sozinha.
Ao ver-te, amor, minha sorte ficou
como se diz: marcada.
Mar é o nome do meu macho,
meu cavalo e cavaleiro
que arremete, força, chicoteia
a fêmea que ele chama de rainha,
areia.

Mar é um macho como não há nenhum.
Mar é um macho como não há igual
¾ e eu toda água.

Olga Savary

assim procurando os olhos de mar da menina de bento encontrei essa mulher do rio de janeiro vinda ainda menina de belém do pará trazendo na carne nas veias bagagens dos cios florestas que reapartiu em versos para desaguar no mar

artur gomes
http://pelegrafia.blogspot.com

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Publicado em 20/02/2011 por em Uncategorized.

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