Palavras Diversas

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O manual do PIG: se os demotucanos fossem adversários, como seria matéria do Estadão sobre enchentes em SP

Kassab e Serra (e agora Alckmin) não resolvem o problema

Tragédias de proporções distintas, mas ambas tragédias de fato, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo.  Mas o tratamento dispensado pela imprensa é distinto, tem enfoques diferenciados, suavizados para as autoridades paulistas, duramente crítico com as autoridades do Rio de Janeiro, sempre dando um “jeitinho” de “incriminar” o governo federal nas matérias sobre as enchentes.

O tema é muito sério e requer informação embasada, contundente quando tiver que ser, mas sempre discutindo com seriedade a questão. 
Mas o que se vê no noticiário é o velho manual de redação do PIG: é amigo? Suaviza o noticiário, mostre os dramas pessoais, mas sem ouvir as reclamações e desabafos dos atingidos, culpa a natureza e o lixo jogado nos rios e ruas, não contextualiza as questões pelo viés política e aproveita o ensejo para embutir boas notícias e promessas de dias melhores das autoridades.  



É adversário? Critique, descontextualize, chame as falas, fale grosso, envolva o governo federal, Lula e todos os seus aliados possíveis, jogue tudo em um “liquidificador de manchetes histéricas”, ouça os desabafos e críticas duras das pessoas, legitime com a opinião de especialistas “independentes” e destrua o apoio popular que estes grupos políticos possuam.



A imprensa deve informar, criticar, aprofundar, debater, analisar os fatos que se apresentam, mesmo que tome partido, que faça isso às claras, não escamoteando em falas falsamente despretensiosas.  Apurar as falhas do processo e apontar caminhos, ouvindo especialistas de diversas vertentes e, quando elegendo a vertente que lhe convenha, ao menos, apresentar o outro lado.
Mas aí seria pedir demais…A imprensa joga com fatos tristemente graves, prefere continuar fazendo pós-campanha.



Como seria um texto do PIG sobre as enchentes em SP, se os demotucanos fossem adversários políticos?
Em um exercício de redação, obedecendo o manual do PIG, acrescento trechos sobre a matéria suave publicada pelo Estadão sobre as enchentes em São Paulo, que mais serviu para “levantar a bola” do governador, em terceiro mandato, e do prefeito, reeleito, do que para analisar os fatos com profundidade.
Os trechos com destaque na cor vermelha são as inserções, seguindo o manual do PIG, caso Alckmin e Kassab fossem adversários políticos da imprensa, confira abaixo o resultado:



Após mais uma enchente na capital,  Alckmin anuncia  plano de R$ 800 milhões contra enchentes em SP


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM), anunciaram nesta tarde um plano de R$ 800 milhões para combate às enchentes na cidade, que nos últimos anos tem atormentado a população da cidade.



A iniciativa, duramente criticada por especialistas por seu atraso, inclui a retirada de 4,18 milhões de metros cúbicos de resíduos da calha do Rio Tietê, ao longo deste ano; a abertura de licitação para a compra de três turbinas para aumentar em 60% a capacidade de bombeamento do Rio Pinheiros para a Represa Billings; a canalização de córregos; a construção de dois piscinões, sendo um deles na divisa entre São Paulo e São Caetano; a construção de um sistema de canais entre São Paulo e Guarulhos para desassoreamento do Rio Tietê; e a criação do Parque da Várzea do Tietê, com a remoção de 5 mil famílias que vivem às margens do Rio.  Este conjunto de obras, consumirá um orçamento milionário dos cofes públicos do Estado e do município, devido ao atraso das obras e a gravidade da situação.



De acordo com o governador, que está em seu terceiro mandato, o parque deve ficar pronto em quatro anos, ao final de sua atual administração, e as turbinas estarão em funcionamento em três anos. ‘O desassoreamento é eterno. Se passar um verão sem desassorear, há 500 mil metros cúbicos de areia, sofá, geladeira, papel e sujeira dentro do rio. Todo o verão tem de tirar 500 mil metros cúbicos de areia’, disse o governador. Apesar de ao longo de 16 anos de sucessivos governos tucanos no Estado e tais obras nunca terem saído do papel até então, o governador afirmou:  ‘Mas o mais importante são as obras estruturais.’



Além das obras, Alckmin ofereceu à Prefeitura de São Paulo 50 caminhões para ajudar na limpeza dos bueiros da cidade e 10 caminhões-pipa para a lavagem de ruas. Segundo o governador, o período de chuva dificulta o trabalho de dragagem na calha do Rio Tietê.
 Até março, segundo ele, está prevista a retirada de aproximadamente 150 mil metros cúbicos de resíduos, uma vez que no período de chuvas o trabalho fica comprometido. ‘Se nós conseguirmos manter a batimetria (medição da profundidade dos rios), o sistema de bombeamento e a recuperação das várzeas irão minimizar os problemas’, disse Alckmin. O governador lembrou ainda que, só no ano passado, foi retirado 1 milhão de metros cúbicos de resíduos da calha do Rio Tiete, o que segundo especialistas ouvidos, este volume é irrisório se considerada a população da grande São paulo e o grande número de empresas instaladas na região que fazem despejos não monitorados diariamente no rio Tietê.



Questionado sobre quando o paulistano se veria livre das enchentes, o prefeito Gilberto Kassab preferiu não firmar uma data compromisso e afirmou que não é possível dar nenhuma garantia à população. ‘Qualquer obra tem a sua capacidade. É impossível prometer que qualquer intervenção vai liberar a região de alagamentos, porém as obras (feitas até agora) têm correspondido’, disse.



A reportagem ouviu os moradores das regiões afetadas e ouviu deles que esta situação se repete ano após ano e que as autoridades, tanto da prefeitura quanto do governo estadual, já foram várias vezes avisadas sobre este problema e até o momento não apresentaram um plano convincente para dar fim, definitivamente, a estes transtornos causados a população.
O governo federal, por meio do ministério das Cidades, afirmou que está a disposição das autoridades, no sentido de oferecer recursos para projetos específicos para as enchentes na região, mas que, até o momento, não recebeu qualquer proposta técnica das autoridades paulistas sobre o problema.
Matéria original, sem os enxertos destacados, de Daiene Cardoso, da Agência Estado, estadao.com.br, 11/1/2011





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Informação

Publicado em 14/01/2011 por em imprensa conservadora.

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