Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

PNBL: navegar é preciso

Governo vai desonerar modems para democratizar acesso a banda larga

O empresariado costuma sempre reclamar da carga tributária, justa ou injustamente, mas qual será a postura dos empresários dos grandes veículos de comunicação do país a respeito do conjunto de desonerações que o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, pretende levar adiante para universalizar a internet rápida país afora?

O silêncio a esse respeito tem sido sintomático, a não ser para quem se interessa, o PNBL não tem sido explorado como se deve, em suas ações propostas e peculiaridades.  A mídia, em geral, busca algum ponto polêmico para explorar e desqualificar o projeto governamental.

De fato, entre outras coisas, uma política de desoneração para os insumos do setor de TI poderia facilitar o alcance da meta do governo, levar internet banda larga aos confins do Brasil e para os consumidores de baixa renda, que, geralmente, as grandes teles não se interessam e deixam de lado potenciais consumidores de informação.

Por outro lado, só isso, ou seja, a desoneração não resolve.  A participação da Telebrás e o uso da rede de fibra ótica em poder de várias outras empresas, remuneradas por parte da estatal de telecomunicações, poderá acirrar ainda mais o mercado e forçar o barateamento dos preços finais.

O PNBL atinge as teles, mas também atinge as grandes corporações de mídia hoje existentes no país: Globo, Abril, Folha, Estadão…O acesso a internet rápida, universalizado, tornará possível a entrada ou a ascenção de players já existentes no serviço de oferecer informação, entretenimento, cultura etc.   Haverá mais audiência, logo, mais verba publicitária se deslocando para a internet, em um ambiente multiplo e diverso, retirando desses tradicionais veículos de comunicação um pouco de suas audiências e neutralizando suas influências na (de)formação da opinião pública.
Interfere também no rendimento de seus negócios, na TV aberta, jornais e revistas impressas.  Afinal o acesso a rede, a preços baixos, deslocará a audiência tradicional da TV e impressos, também para a internet, tornando mais célere a queda dos índices de audiência, como se presencia nos dias de hoje.

Talvez resida aí o silêncio das emissoras de TV a respeito, ou a propagação de manchetes negativas dos impressos sobre o PNBL.

Interesses diversos, contrariados, a defesa de um mercado altamente concentrado nos grandes centros urbanos, caro e de, razoável controle de uma pauta afeita a certas necessidades impostas de cima para baixo, do geral para o particular…

É certo que, desde 2003, o governo vem enfrentando muitos obstáculos para fazer sair do papel a democratização da mídia e universalizar o acesso à internet no país, mas com um Congresso de maioria mais folgada, Dilma e Paulo Bernardo, poderão avançar mais rapidamente sobre a questão, a despeito do temor dos empresários proprietários das “sesmarias dos veículos de comunicação no Brasil”, muitos deles ligados, ou mesmo pertencendo, a políticos em exercício de cargos públicos.

Nos anos 1990 durante as privatizações do governo FHC,  testemunhamos o quanto medidas nocivas ao país ou para a maioria da população avançavam rapidamente, com o apoio de um Congresso conservador e de uma imprensa entreguista/colaboracionista, mesmo com toda a pressão dos movimentos sociais organizados, o que lesava a pátria avançou como sinônimo de modernização do Estado, promessas de benesses ao povo.
Para avançar “maldades” o rito, historicamente, é sumário, mas para beneficiar a maioria dos brasileiros, o andar é lento e cuidadoso, espreitado por interesses poderosos, que quando contrariados são inclementes e sombrios contra aqueles que ousam se levantar contra uma dominação cultural propagada pela elite nacional há séculos.
Os ventos sopram em direção ao novo, ao diverso, local e democrático, é preciso aproveitar estes ventos, agora, mais do que nunca, navegar é preciso.

Confira mais em: Governo começa 2011 desonerando modems; debate tributário deve ser expandido, diz Bernardo

Anúncios

Um comentário em “PNBL: navegar é preciso

  1. Fernanda Tardin
    09/01/2011

    Olá Pessoal,
    Tava na hora né? acredito que pelo menos 50% o valor atual do moldem vai ser reduzido. Falta agora o BNDES arrumar uma forma de financiar ( sem ser para lojas) a comunidades ( centro comunitario) este MOLDEM ou como já existe o COMPUTADOR POPULAR, que o preço do Moldem venha incluido ao credito de acesso a compra de computadores poipulares. Tb. acho necessario ver (rever) a forma de credito no plano Computador Popular. Tem muito intermediario no meio do fabricante/consumidor. Pq. não simplificar? bj

    Nanda Tardin
    bjao

    Curtir

Deixe aqui seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 09/01/2011 por em Uncategorized.

Democratização da mídia, apóie!

Seja amigo do Barão!

Digite seu e-mail para seguir este blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 3.451 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: