Palavras Diversas

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Serra, O Globo e Vera Fischer: não se interessam pelos pobres

“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”

Esta frase rodou a blogosfera hoje, estampou algumas, discretas, chamadas de alguns portais da internet e foi veiculada no Jornal Folha de São Paulo.

O fosso abissal do pensamento retrógrado e entreguista que se afundaram Serra, O Globo e Vera Fischer…

Seu autor? Serra.
Contexto em que foi falada? Período pré-eleitoral, dezembro de 2009, em que ainda aparecia liderando a disputa e prometia a uma alta executiva de uma petrolífera americana, assim que assumisse o governo, mudar o modelo de exploração do pré-sal, favorecer a entrada das multinacionais do petróleo e garantir os interesses norte-americanos nas regras de exploração das maiores jazidas de petróleo descobertas em todo mundo nas últimas décadas.

Mais além.  Com todo este arranjo poderia, em condições muito favoráveis, de espaço político e jornalístico amigável, travar uma discussão sobre o modelo superado pelo governo Lula, aquele de 1997, do governo FHC, “conseguindo convencer a sociedade” que as regras anteriores eram saudáveis ao país e à economia, modernizando toda a cadeia industrial do país, beneficiando milhões de trabalhadores.

Isso era o que estava em jogo nas eleições passadas.  Pelo menos era um dos maiores emblemas do presente, garantia de futuro soberano.
Isso era o que se negava na oposição, o tempo todo, cinicamente, nos debates e que, acertadamente, a campanha de Dilma Roussef soube bem explorar no segundo turno.  Apesar de todas as negativas de Serra e seu grupo político, as cartas já tinham sido lançadas, as promissórias assinadas…Cheques em branco.

O modelo que Serra pretendia convencer a sociedade ser melhor que o modelo de exploração do pré-sal de Lula, com a providencial ajuda de Alexandre Garcia, Miriam Leitão, Reinaldo Azevedo, Merval etc…foi o mesmo que, com a promessa de fazer deslanchar a indústria petrolífera brasileira, com entrada de bilhões de dólares em investimentos das empresas multinacionais, aumentando os níveis de emprego no setor e em toda a cadeia produtiva adjacente do petróleo…

O que se viu?
Pelo contrário, a industria naval foi desmontada, porque as plataformas eram compradas na Ásia, garantindo o emprego do trabalhador…asiático.  A produção nacional não dava conta de atender a demanda interna por combustíveis fósseis, mesmo 5 anos após o marco regulátório de FHC!
Não houve um centavo sequer investido, nacional ou internacional, público ou privado, na construção de refinarias.  O modelo anterior apenas abria para o capital internacional explorar, em ótimas condições, as riquezas nacionais, enfraquecendo a Petrobrás, até transformá-la em Petrobrax e vendê-la as empresas internacionais, a preço de banana, com financiamento público, via BNDES…

A soberania do país esteve em jogo em outubro, o Wikileaks, mais uma vez, desmascara os cínicos do entreguismo, tais quislings pegos no ato vil colaboracionista…

A imprensa brasileira tratará de desvalorizar o fato, como fez O Globo hoje, apresentando até algumas análises que coloquem em dúvida o atual modelo de partilha do pré-sal e, atirando a esmo, tentar fazer crer que Serra estava certo.

O Globo desta segunda-feira não explora a frase de Serra, flagrada pelo Wikileaks, apenas faz sutis colocações sobre o fato e dá a entender que seu candidato derrotado não cederia aos interesses da executiva da Chevron.

O malabarismo talvez se explique pela necessidade do jornalão carioca dar uma enquadrada em Lula, após o presidente ter gravado longa entrevista exclusiva a equipe do Domingo Espetacular , da Record, que o  acompanhou uma de suas últimas viagens, rendendo bons índices de audiência a adversária.

Jornalão não escreve para pobre, tucano não governa para pobre…
Vera Fischer também não escreve para pobre…O que isso tem em comum? Apenas o pensamento arraigado de uma pequeníssima parcela egoísta da sociedade, que despreza os mais pobres e os desqualifica como cidadãos.
A tratativa de Serra com a executiva americana, mesmo negada por ele, segundo a Folha de São Paulo, o malabarismo prepotente de um dos maiores jornais impressos do país e a conhecida atriz se encontram e se igualam no desprezo aos interesses do povo, nas costas viradas para sua realidade e anseios, na ignorância de sua capacidade de gerir seu caminho e contribuir decisivamente para o desenvolvimento do Brasil.

Para Vera Fischer, a vida dos mais ricos é mais interessante.  Como ela mesmo afirmou  na Folha de São Paulo: “Eu não sei escrever pra gente pobre. Eu detesto”.  Para ela, a vida dos ricos é mais interessante. “Cada livro tem pelo menos uma viagem ao exterior.” 

Quando se poderia imaginar que o fundo do poço tinha chegado, eis que um fosso mais profundo se abre e engole, de uma só vez, os entreguistas, os “malabaristas da verdade” e os egoístas sociais, pseudo-elitistas…

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2 comentários em “Serra, O Globo e Vera Fischer: não se interessam pelos pobres

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Publicado em 13/12/2010 por em Uncategorized.

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