Palavras Diversas

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A crise do RJ ao vivo na TV aberta: imagens chocantes, opiniões ocas

 O cotidiano e o extraordinário: guerra do trafico Morro dos Macacos e Morro do João 2009 (Foto Cláudio Ribeiro)

Acompanhei durante o dia inteiro a cobertura da tv aberta sobre crise no Rio de Janeiro, a mais séria crise da segurança do Estado, provavelmente, de sua história.
O que tive acesso na verdade foi a um show de apelos repetitivos e chocantes de imagens e pouca informação relevante.  As imagens já diziam mais do que os apresentadores eram capazes de qualificar, analisar ou discutir.
Pude assistir aos jornalísticos Bom Dia Brasil, da Globo, Hoje Em Dia, da Record, RJTV, da Globo e toda a cobertura vespertina da Globo.  Assim o fiz não por opção, mas porque a clínica onde estava fazendo uma bateria de exames durante todo o dia tinha TV’s que transmitiram estes programas.

A informação poderia ter sido aprofundada, houve tempo e espaço para apresentar análises mais consistentes de especialistas, levar ao espectador algo além do medo, do terror e da histeria que as imagens, repetidas a exaustão, causavam na população.  Informá-lo com contexto.

A questão não é deixar de mostrar as imagens, mas fazê-las acompanhadas de informação relevante, colocando o “dedo na ferida”.
O show de imagens buscou garantir audiência, em uma disputa selvagem pela sintonia das pessoas em suas casas.

O Rio de Janeiro sofre com os ataques e com os boatos.
Mas posso afirmar que muitos dos boatos disseminados são nutridos pela informação distorcida emitida nas  opiniões de âncoras afoitos, convidados especiais sem uma noção aprofundada das ocorrências transmitidas via satélite para o mundo inteiro.  Se arvoraram nos palpites e nas impressões meramente pessoais.
As pessoas amedrontadas pelos ataques e confusas pelas mesclas de imagens ao vivo com imagens gravadas, lançadas incessantemente na programação, não tinham condições de compreender em tempo real o ocorrido.

O consórcio da paz: Sociedade/Estado

A crise é de extrema gravidade, o que foi vivido hoje é muito mais sério do que aconteceu no Morro dos Macacos, com a derrubada do helicóptero da PM.
As imagens dos bandidos fugindo em comboio pela mata, mostrou ao povo brasileiro pela primeira vez, talvez a imagem que tenha surtido algum efeito, a logística e o armamento pesado desses marginais, em tempo real e em grande formação.
O Rio de Janeiro precisa de paz, frase redundante, mas o estado de direito tem que ser preservado, a polícia tem que fechar o cerco, sem recuar.
Após o desfecho deste triste capítulo de nossa história, a sociedade carioca e o Estado precisarão rever muitas questões, discutir aquilo que pode ser melhorado para evitar tragédia igual a esta.  Apontar soluções de médio-longo prazo, que sejam duradouras e sérias, que alcancem políticas sócio-educacionais, de fato, evitando que o ciclo que atrai alguns jovens para o crime seja rompido, em uma necessária e urgente associação do Estado/Sociedade.

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6 comentários em “A crise do RJ ao vivo na TV aberta: imagens chocantes, opiniões ocas

  1. Antonio Carlos
    26/11/2010

    Impressionam mesmos são os comentários que surgem a todo momento na mídia. No meu entendimento só ganharemos, ou teremos chances de vencer tudo isto se:
    1. Admitirmos que o crime organizado está anos-luz à frente.
    2. O que ocorre agora é apenas a demonstração de que eles realmente se sentem muito, mas muito poderosos, e é esta a mensagem deles para a sociedade.
    3. Mudar a estratégia. Temos que sufoca-los. Desabastece-los de drogas e armas, isolando o Rio literalmente, pelo tempo que for necessário, com operações permanentes nas estradas, porto e aeroportos. A população vai reclamar mas depois vão agradecer.
    4. As UPP's não podem parar jamais, mas tem que vir acompanhadas de escola, saúde, etc, etc, etc…
    5.

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  2. Se a polícia não estivesse prendendo chefões do tráfico e ocupando seus quartéis-generais, não haveria tumulto algum – prova de que o que o governo atual está fazendo incomoda (e muito) a esses chefes. Claro, a droga é um problema social, a criminalidade idem, mas não é só dos governos e sim de toda a sociedade – de um modelo de sociedade arraigado entre nós, com exclusão e desigualdades amplas.
    Cada comunidade ocupada deveria receber a atenção de ongs voltadas para ações sociais. Há diversos investimentos públicos sendo feitos nessas comunidades, outro fator de resgate de suas populações. Combater a desigualdade também é parte desse processo – um só governo não consegue solucionar um problema secular. Educar, para mudar a mentalidade das pessoas, mas punir e coibir quando necessário. Nada é automático.

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  3. artur gomes
    26/11/2010

    Claudio, magnífica reflexão, aí está o dedo na ferida, que infezlimente ninguém na grande mídia tem a coragem de fazer, senão a ficar repetindo frases de efeito, ou conferindo dignidade a quem não tem a mínima condição de tê-la.

    grande abraço
    artur gomes

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  4. Tahiana
    26/11/2010

    O Governo tem que mostrar para os marginais e para a população que não existe “poder paralelo”, eles querem existir, e nós não devemos deixar, porque o poder deles é a anarquia para nós.
    A grande mídia virou o que Guy Debord já previa, transformando a sociedade num grande espetáculo, vazia de informações reais e criando pânico.

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  5. VERA ABRANCHES
    26/11/2010

    Esse é o resultado da política de governo de um governo que durante os últimos anos fingiu que não viu a decadência dos serviços básicos de um estado como o rio de janeiro, investiu, mas em sua propaganda que em segurança publica, jogou com a educação como moeda de troca política, licitações milionária, abusando descaradamente do dinheiro publico, o resultado infelizmente ai esta!… Que sirva de exemplo. É preciso sim uma ação em médio e longo prazo para ontem. Que Deus guarde-nos a nós e nossas famílias de tantos desmandos e corrupções é que podemos esperar neste momento.

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  6. Getulio Ribeiro
    25/11/2010

    É tenho toda certeza que iria preferir seus comentários na mídia do que esses comentários redundantes dos jornalistas em geral…

    cambada de robô… ninguém expressa nada além do que é mandado…

    mesmo em momentos como esses.

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Publicado em 25/11/2010 por em Uncategorized.

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