Palavras Diversas

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Ilhéus e Sul da Bahia: entre o assombro do "voto verde de advertência" e a esperança em Dilma

 

Senhor João Eudes, Ilhéus/BA,  e acerteza estampada do nordestino no 2º turno

 

De volta ao batente!
Após uma semana percorrendo o sul da Bahia, em curtas férias, mas observando o que os baianos falaram das eleições presidenciais.  O impressionante constatado é o quanto a disputa presidencial é tema de conversas cotidianas e o quanto as pessoas discutem e partidarizam as eleições.
Um exemplo disso foi o que vi em Ilhéus: no primeiro turno Dilma venceu na cidade com cerca de 53% dos votos válidos, contra 24% de Serra e 22% de Marina.  Pois é, o efeito Marina tirou muitos votos de Dilma no município, o que comprova que a estratégia de construir uma imagem de novidade e distinção na política sobre Marina se deu com bastante sucesso no interior brasileiro.
Mas a paisagem de Ilhéus é vermelha, nas ruas, nos carros, nos muros e nas casas predomina o apoio a Dilma.  O nordestino espera na vitória de Dilma a continuidade da atenção do governo federal para os problemas crônicos da região, resultado de décadas de abandono do poder público central.  Lula possui um grande respeito e admiração deste povo, que o reconhece, em sua maioria absoluta, como o presidente que mais fez pelo nordeste em toda história do país.  A transferência desse reconhecimento, em forma de votos, para Dilma, foi sensivelmente prejudicada pelos boatos de fundo religioso e no “voto verde de advertência” em Marina no primeiro turno.

Serra não cresceu, permaneceu onde sempre esteve, mas Marina avançou sobre uma parcela dos eleitores mais humildes de Ilhéus e região.
Em Porto Seguro os números também surpreenderam pela similaridade: Dilma 54%, Serra 23% e Marina 21%.
É bom lembrar que Jacques Wagner venceu com mais de 63% na Bahia e em Ilhéus e Porto Seguro, teve índices bem maiores que o de Dilma e se somarem maioria dos votos de Gedel, ultrapassam marca dos 75%, dos candidatos apoiados por Lula.
Neste segundo turno a estratégia de trazer de volta este eleitor “encantado” com a cobertura benevolente da imprensa com Marina ou aquele que não vota em Serra e resolveu apertar o 43 na urna eletronica poderá se converter em uma grande vitória de Dilma sobre Serra no nordeste.
Claro que o que sucedeu-se no sul da Bahia não pode ser simplesmente transposto para toda a região nordestina, mas é preciso perceber que algo, muito bem tramado, aconteceu para desconstruir a imagem de Dilma como a única candidata capaz de continuar a obra do presidente Lula.

O Nordestino esperançoso e grato
Em Ilhéus conversei com o bem humorado e popular senhor João Eudes, foto do post, vendedor de água de coco e caldo de cana no mercado de artesanato da cidade.  Ele afixou, com orgulho, um cartaz onde aparece Dilma e Lula juntos e disse que o povo da município tem uma grande  rejeição com o vice de Marina, empresário da Natura, Guilherme Leal, que possui uma grande propriedade no local e tenta impedir o avanço de grandes obras que beneficiariam e muito Ilhéus, como o Complexo Porto Sul, porque passariam dentro de sua propriedade, o que traria mais infraestrutura e empregos para o povo Ilheense.  Guilherme Leal, como foi tornado público, foi investigado pelo Ibama por violar leis ambientais em sua propriedade em Ilhéus.  Apesar disso, Marina cresceu e quase ultrapassou Serra.
O senhor João Eudes reconhece que o apelo religioso impregnou a campanha presidencial no primeiro turno e falou que algumas pessoas, evangélicas, que também trabalham no mercado de artesanato justificariam não votar em Dilma baseado “em ensinamentos religiosos” ultraconservadores em que a mulher não poderia comandar, mas apenas ser submissa ao homem.

O perigo obscuro que Serra representa
A frase que explicita a vontade de alguns religiosos fundamentalistas em votar em Serra, entre tantas outras cunhadas na campanha mais nefasta desde a redemocratização do país, o perigo que representa a candidatura de Serra para os direitos da mulher e do livre pensar do ser humano: significa, acima de tudo, o retorno as trevas do preconceito e a consolidação de preceitos que podem enraizar-se em toda uma geração de jovens.  Serra não vem sozinho no segundo turno, traz consigo o que há de mais atrasado e perigoso a liberdade e ao avanço social que o país conquistou no governo Lula, ameaça, seriamente, os segmentos sociais mais humildes, as mulheres, os negros e o trabalhador.

Um comentário em “Ilhéus e Sul da Bahia: entre o assombro do "voto verde de advertência" e a esperança em Dilma

  1. artur gomes
    20/10/2010

    Claudio, maravilhoso texto. eagora revigorado depois desses dias de descanso, vamos a luta. Chego no Rio na sexta a tarde. Na segunda logo cedo embarco para o RS. Vamos ver se dessa vez bebemos aquele chop. grande abraço

    artur gomes

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Publicado em 20/10/2010 por em Uncategorized.

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