Palavras Diversas

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Atualizado pós debate – Pesquisa e debate: a presunção das tendências do Datafolha e a lição do debate da Band em 2006

Datafolha apresenta resultados bons para Dilma, mas força a barra na “tendência” do voto verde pró-Serra

O primeiro final de semana pós primeiro turno traz a primeira pesquisa, Datafolha, e o primeiro debate, Band.  Como no primeiro turno, tanto Datafolha e Band saem na frente, um para demonstrar tendências de pesquisa e outro por levar o debate ao eleitor.

Sobre a pesquisa, após os naufrágios dos institutos no primeiro turno, aponta um resultado, mais ou menos, esperado. Dilma aparece a frente de Serra: 54% a 46%.  Eu esperava uma diferença menor, após todo o bombardeio midiático contra Dilma no final do primeiro turno, a construção de uma imagem de frustração governista pela imprensa, que não se justifica nem se apóia na verdade dos fatos e a onda de boatos impiedosa contra Dilma, até esperava um empate técnico.
Até aí tudo bem, são apenas os primeiros números do segundo turno, nada muito além disso, e pelo o que parece, Dilma se coloca com algum conforto a frente e no pior momento que sua campanha viveu até agora.  Parece ter fôlego para voltar a crescer.
O Datafolha só escorrega quando tenta, em sua pesquisa, apontar uma tendência que, nesse momento, pode ser difícil de se perceber: o eleitor de Marina, em sua maioria, caminhando para Serra.  Acho precipitado por parte do Datafolha afirmar, com todos os dados que possa dispor, tal variação e, pior, parece querer criar um “fato novo” com isso, claro, sem variação alguma para beneficiar Serra, emitindo a seguinte mensagem: “eleitor de Marina quer o Serra”.  Infelizmente repetindo seus vícios recentes na hora de colher os dados, o Datafolha não se assume…

Lula em 2006 engoliu Alckmin no primeiro debate do segundo turno: fez a máscara tucana cair
Quanto ao debate, vem a lembrança 2006.  No primeiro debate do segundo turno daquelas eleições, o Datafolha, apontava para quase um empate técnico, com ligeira vantagem para Lula sobre Alckmin.  O debate da Band serviu, claramente, para uma contraposição nítida de projetos.  Lula soube, habilmente, fazer com que Alckmin assumisse a agenda tucana de FHC  e caísse em contradição em um tema, naquela época, muito presente: as privatizações.  Lula fez Alckmin dizer que não privatizaria o BB, a Caixa e a Petrobrás, mas logo a seguir apontou a contradição do adversário: Alckmin, governador de São Paulo até abril daquele ano, havia privatizado empresas paulistas até pouco tempo antes de renunciar ao governo para disputar a presidência.
A lição que ficou daquele debate foi de que Lula mostrou-se, radicalmente, diferente de Alckimin nos projetos políticos que representavam, soube mostrar ao eleitor o que cada discurso ali defendido influenciaria na vida de cada um de nós eleitores.  A partir daquele momento Lula disparou nas pesquisas, fez a máscara de Alckimin e dos tucanos caírem e o povo, resolveu confiar no modelo que estava rendendo seus primeiros frutos.

Talvez esta deva ser a estratégia de Dilma, para mostrar a diferença que representa do discurso de Serra.
Dessa maneira poderá esclarecer ao eleitor o que pode estar sendo decidido nesse segundo turno: ou continua com as políticas econômica e social e a posição emergente de diálogo no cenário mundial do Governo de Lula, que ela representa.  Ou eleitor pode estar retornando a todo o receituário neoliberal de FHC, com privatizações, arroxo salarial e submissão aos interesses dos países centrais, que Serra e todo o seu arco ultraconservador de apoio político e social, representam.

Serra talvez tente colocar Dilma contra a parede nas questões referentes ao aborto e denúncias contra o governo, impedindo que ela aproveite o debate para mostrar suas diferenças cruciais.

Nesse aspecto não há opção à Dilma: é preciso confrontar o adversário e, de maneira convincente e enfática, mostrar ao eleitorado brasileiro o que cada um representa e o que cada projeto pode influenciar, decisivamente, a vida das pessoas no seu dia-a-dia.  A oportunidade é essa e como Lula em 2006, virar o tabuleiro do jogo e colocar o adversário contra a parede, fazendo com que a cada novo debate e na propaganda eleitoral tivesse que se explicar e prometer não fazer aquilo que fazia até recentemente.  Lula venceu com autoridade e larga vantagem, criando o maior fato histórico das eleições em dois turnos no país: pela primeira vez um candidato havia tido menos votos no segundo turno do que tivera no primeiro turno…Por que? A máscara caiu e algumas milhões de pessoas repensaram o seu voto.
Esse é o único caminho para inverter a ordem do jogo.

Atualizado pós debate:
Dilma partiu para o confronto e tal como Lula em 2006, tentou mostrar que há uma diferença de projeto de nação entre as duas candidaturas.  Esta postura não podia ser mais postergada, urgia falar ao eleitor brasileiro que não há duas candidaturas continuadoras do governo Lula.  Dilma se credenciou, firmemente, como sendo esta opção e pregou em Serra a placa do retorno ao ideário neoliberal do governo FHC.
Apesar de todo tipo de análise que venha a seguir, na grande mídia, acredito que o telespectador pode, enfim, perceber que sua escolha pode manter ou mudar tudo que está posto hoje na agenda do governo, basta saber qual o entendimento do eleitor de agora em diante.

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2 comentários em “Atualizado pós debate – Pesquisa e debate: a presunção das tendências do Datafolha e a lição do debate da Band em 2006

  1. Rodrigo
    13/10/2010

    SERRA QUER MEXER NA IDADE PARA APOSENTADORIA DOS “VAGABUNDOS”

    http://tirando-a-limpo.blogspot.com/2010/10/psdb-de-fhc-e-serra-chama-os.html

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  2. Tahiana
    12/10/2010

    E até o dia 31, muita água pra rolar!

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Publicado em 10/10/2010 por em Uncategorized.

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