Palavras Diversas

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O curto prazo de validade dos "fatos" denunciados pelo P.I.G. : Sábado a terça-feira

Ontem em um evento sobre os caminhos da blogosfera e a sua consolidação como imprensa alternativa, Mauro Santayana, em determinado momento respondeu quando perguntado sobre as tentativas golpistas da imprensa conservadora: 
“Se a imprensa tivesse força para dar o golpe, teria força para fazer o Serra subir nas pesquisas”. 

Entendo que esta resposta explicite, afora qualquer análise acerca da credibilidade e persuasão em massa diminuídas dos grandes órgãos de imprensa, em outro ponto de vista, Santayana, talvez, queira ter expressado que: mesmo a imprensa ainda possuindo um “poder de fogo” inegável, toda a sua energia na confecção de manchetes e reportagens estridentes sobre conteúdos vazios, mas repletos de dizeres políticos parciais nas suas entrelinhas, o resultado prático de todo esse circo midiático do denuncismo é que Serra, apesar de não conseguir subir nas pesquisas, também não cai mais, oscila nas margens de erro, pontos para cima e pontos para baixo, tal como ocorre com Dilma, cada em seus distintos patamares de popularidade.

Quero dizer com isso que, por causa de todo esforço que Veja, Época, JN, O Globo, Estadão e FSP, Serra ainda não está na lona, ainda respira com a ajuda dos aparelhos midiáticos.
Não tenho como afirmar se a estratégia seja mesmo essa: mantê-lo vivo na disputa, mesmo artificialmente, amparado pelas manchetes sensacionalistas e partidárias da imprensa amiga conservadora.

Dei-me o trabalho de analisar os quadros do tracking Vox Populi- Band-Ig e percebi que nas duas últimas semanas, quando a artilharia tornou-se mais pesada por parte da imprensa contra Dilma, Lula e o PT, o esquema parece desenrolar-se assim:
começa no sábado, com as capas de Veja e Época, multiplicadas pela repercussão do horário político de Serra no rádio e na TV, pela reportagens do JN sobre o publicado nas revistas semanais.
Domingo os grandes jornais continuam a repercussão, geralmente com a adição de “novas informações” sobre o fato, com uso de gráficos e fluxogramas ilustrando os casos.
Segunda-feira a repercussão ainda não se esgota e mais matérias são lançadas para refrescar a memória do (e)leitor nos jornais de maior circulação do país e o fim da repercussão do que foi lançado no sábado, se esgota no horário político de Serra na terça-feira.
Ou seja, de sábado a terça-feira a quantidade de notícias divulgadas, repercutidas e multiplicadas em seu  alcance é impressionante, todas negativas e com imenso potencial (talvez único) para exploração eleitoral.

Pois bem, observando os dois quadros abaixo, do Tracking Vox Populi, percebe-se que a trajetória de Dilma tende a cair um ou dois pontos por conta da avalanche de notícias negativas despejadas na cabeça do eleitor sobre ela, sua campanha e sobre o governo, a repercussão na pesquisa começa segunda-feira e prossegue até quarta feira.  Ocorre que os números se referem sempre ao pesquisado no dia anterior, e como domingo e segunda-feira são os dias em que a exploração das notícias já alcançou o seu ápice, a linha de Dilma fica descendente nos dias seguintes, reparem nos trechos destacados:


zoom: clique nas imagens


Ocorre que após toda a exploração do “fato” político, as matérias perdem validade rapidamente, é só reparar os muitos desmentidos sucessivos que são divulgados no período, e sua repercussão parece não surtir efeito na vontade do eleitor e é quando tem ocorrido a recuperação de Dilma, aos patamares de sexta-feira a domingo e Serra retorna para seus números mais modestos.

Não sou estatístico, nem tampouco observo este dado com olhar científico apurado, mas consigo afirmar que: os factóides da imprensa conservadora, repercutidos pela oposição se esgotam na quarta ou quinta-feira.

Segunda afirmação: Serra não consegue tirar proveito maior do que evitar uma queda mais contundente na preferência do eleitorado, se não fosse tal amparo.

Terceira afirmação: Dilma também se acomoda em uma faixa de preferência muito confortável, oscilando dentro da margem de erro e mantendo grande diferença sobre todos os concorrentes juntos.

Quarta afirmação: Marina não consegue tirar proveito da jogada midiática oposicionista, talvez por ser reconhecida pela maioria do eleitorado como uma das participantes dessa montagem.

Afirmação final: a grande imprensa conservadora usa seu imenso poderio difusor para jogar como cabo eleitoral de uma candidatura e o máximo que consegue é evitar que Dilma dispare ainda mais e Serra despenque no fosso das derrotas humilhantes, “anestesiam” o eleitor de sábado a terça-feira com teses e denúncias ocas de provas, mas como não incorporam nada de concreto ao noticiário, o mesmo eleitor não crê como reais “tais “fatos” e abandona o barco furado do factóide na quarta ou quinta-feira.

P.S. esta “análise” desconsidera a pesquisa Datafolha publicada hoje, nesse caso, melhor confirmar estes números por outros institutos durante a semana, no mais parece colidir com a estratégia midiática de sábado a terça-feira seu novo resultado e por desconfiança, o histórico do uso da margem de erro por parte do instituto da FSP…

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Publicado em 22/09/2010 por em imprensa conservadora.

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