Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Imprensa conservadora: cobertura político-eleitoral vazia de conteúdo, mas repleta de interesses políticos impublicáveis

A mídia derrubou Erenice, mas o objetivo final é vencer o governo e sua candidata

Articulistas desmoralizados pelo O Globo, que prefere os oráculos, e as “frases pescadas” para legitimar o dardo político [zoom – clique na imagem]

Os acontecimentos de hoje, a saída de Erenice Guerra do Governo e as repercussões deste fato, confirmam as análises apresentadas aqui em três fragmentos distintos: Artigo de Venício Lima no Observatório da Imprensa, jornalista, sociólogo e professor; Entrevista de José Eduardo Cardozo, deputado federal pelo PT, ao Portal Terra, coordenador jurídico da campanha de Dilma Roussef; e entrevista de Cláudio Lembo, ex-governador e vice de Serra em São Paulo, ao mesmo Portal Terra, expoente do DEM/SP, secretário municipal de São Paulo – os três personagens citados, dois deles tem lados opostos nessa disputa e um terceiro observa o fenômeno da cobertura midiática-eleitoral, mas todos concordam em uma tese mais do que explícita para qualquer pessoa: A imprensa tem seu candidato…

A junção desses fragmentos e a leitura da análise de Nassif a respeito da nova denúncia da Folha e sobre o que esta matéria se sustenta, que culminou no pedido de demissão de Erenice Guerra, permitem perceber que extravasam o papel jornalístico de informar a sociedade, para o papel de agente político partidário que a imprensa chamou para si, assim como fizera em 2006.

As formas de atuação e os cronogramas se repetem.

Apurar os fatos denunciados é obrigação de qualquer governo, assim como é obrigação de qualquer órgão de imprensa publicar notícias baseadas em provas concretas e não apenas em dardos político-eleitorais “certeiros”.

Aos fragmentos:

Venício A. de Lima:
“Tão logo as pesquisas revelaram que uma das candidatas à presidência da República havia atingido índices de intenção de voto difíceis de serem revertidos, e que os resultados indicavam a possibilidade de decisão ainda no primeiro turno, a grande mídia e seus “formadores de opinião” reagiram prontamente.

(…)sob o título “Festa na véspera”, a principal colunista de economia do jornal O Globo escreveu em sua coluna “Panorama Econômico” do dia 31 de agosto:

“Então é isso? Uma eleição cuja campanha começou antes da hora acabou antes que os votos sejam depositados na urna? (…) Fala-se do futuro como inexorável. O quadro está amplamente favorável a Dilma Rousseff, mas é preciso ter respeito pelo processo eleitoral. Se pesquisa fosse voto, era bem mais simples e barato escolher o governante.”

“(…) Escândalo político midiático, portanto, é o evento que implica a revelação, através da mídia, de atividades previamente ocultadas e moralmente desonrosas, desencadeando uma seqüência de ocorrências posteriores. O controle e a dinâmica de todo o processo deslocam-se dos atores inicialmente envolvidos para os jornalistas e para a mídia.”  [Observatório da Imprensa]

Cláudio Lembo:
Terra – E o papel da mídia? Qual é, qual deveria ser?

Lembo – A mídia se engajou, a mídia tem um candidato…

Terra – Qual candidato?

Lembo – O candidato do PSDB, o Serra…

Terra – E qual a consequência disso? Isso esquenta a conversa de botequim das últimas horas, isso…?

Lembo – … A mída está engajada, tem um candidato que é o Serra e com isso se perdeu o equilíbrio, vem o desequilíbrio, é desse embate que nasce a intranquilidade… mas ela é transitória. Havendo só um grande vencedor no pleito, que é o movimento social, e estando a mídia engajada como que está… disso nasce essa intranquilidade. [Portal Terra]

José Eduardo Cardozo:
Terra – O senhor identifica um tratamento desigual entre os dois candidatos na imprensa?

Cardozo – Não vou nem comentar, tá certo? Eu acho que os eleitores estão vendo os órgãos de imprensa que tratam tudo com imparcialidade e aqueles que constroem manchetes, constroem matérias beneficiando claramente um candidato. Eu acho que a população está madura para perceber quem age com parcialidade, criando factoides, tentando induzir o leitor com manchetes para serem utilizadas no dia seguinte no programa eleitoral de um candidato… Seguramente estes pagarão com preço de seu descrédito perante a opinião pública. [Portal Terra]

Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania apresenta neste desfile de horrores do jornalismo político partidário, o striptease da imprensa, como ele mesmo nomeia, e faz considerações que tornam ainda mais sólido o consenso dos tres personagens citados neste post, em uma síntese de questões recorrentes e descaradas dos interesses políticos que norteiam a cobertura eleitoral:

•”Será que é tudo perfeito em São Paulo a ponto de a imprensa não destacar praticamente nenhum aspecto negativo dos governos Serra no Estado e na capital paulista?
 • Por que grandes tevês, rádios, jornais, revistas e portais de internet dão destaque às denúncias da Veja contra Dilma e escondem as denúncias da CartaCapital contra Serra?
 • Por que tantas denúncias exatamente quando Dilma dispara nas pesquisas?
 • Por que o PT sempre sofre acusações às vésperas de eleições?
 • São questões básicas que as pessoas se fazem enquanto se indignam com as acusações da grande imprensa de que só os ignorantes e desinformados pretendem votar em Dilma.”

Nassif desnuda o jogo sórdido da desinformação e o testemunho da manufatura de factóide com objetivos muito claros: evitar a derrota em 1º turno e oxigenar a campanha para um segundo turno “inescrupuloso”.  A fonte da FSP é um ficha suja da sociedade…Confira o desmonste do factóide por Nassif, aqui.

A cobertura política dessas eleições tem se mostrado a mais vazia de conteúdo das últimas eleições, infelizmente, que o digam os leitores acidentais de Veja, Época, O Globo, FSP, Estadão, Zero Hora, Rede Globo…

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Publicado em 16/09/2010 por em Uncategorized.

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