Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Qual o custo (a ser cobrado) da desinformação e partidarização da cobertura jornalística da imprensa conservadora?

O preço da parcialidade da imprensa conservadora: o descrédito

TerraO senhor identifica um tratamento desigual entre os dois candidatos na imprensa?

Cardozo – Não vou nem comentar, tá certo? Eu acho que os eleitores estão vendo os órgãos de imprensa que tratam tudo com imparcialidade e aqueles que constroem manchetes, constroem matérias beneficiando claramente um candidato. Eu acho que a população está madura para perceber quem age com parcialidade, criando factoides, tentando induzir o leitor com manchetes para serem utilizadas no dia seguinte no programa eleitoral de um candidato… Seguramente estes pagarão com preço de seu descrédito perante a opinião pública. Confira a íntegra aqui.
 
Este trecho encerra uma entrevista do deputado e um dos coordenadores da campanha de Dilma Roussef, José Eduardo Cardozo.  Cardozo sintetiza muito bem sua fala e acerta em cheio no recado: todos tem percebido o tratamento diferenciado que setores da imprensa dispensam aos candidatos.  A primeira rodada de entrevistas da Globo com os presidenciáveis, na bancada do JN do casal Bonner e Fátima Bernardes, foi um dos exemplos mais cristalinos da partidarização dos gigantes da comunicação.
 
Mas os exemplos vão muito além da Globo.  A Folha de São Paulo – FSP (apelidada por alguns como Força Serra Presidente), também contribuiu com este espetáculo grotesco de parcialidade e falta de compromisso com a missão máxima de órgão de comunicação: informar à sociedade. 
O debate na internet promovido pela FSP e o Portal UOL, teve entre os internautas escolhidos para fazer perguntas a candidata Dilma Roussef, assessores de parlamentares e pessoas do staff do PSDB…Coincidência impressionante, em um portal que recebe milhares de visitas diariamente, escolher mais de uma pessoa ligada ao partido líder da oposição para formular perguntas a candidata do governo, é algo sem precedentes. Sem contar a canalice de publicar na capa de uma edição dominical de 2009, uma falsa ficha de Dilma Roussef, do período da ditadura militar, fato que a própria publicação teve que se explicar depois.
A Veja se especializou em criar capas apenas para atacar, embalagens sem conteúdo sustentável e confiável, que duram cerca de 24 horas até sofrer o desmentido.  Sem citar O Globo e o Estadão…
 
O que tá dito acima não é novidade alguma para olhares mais atentos e críticos acerca desses órgãos, não é de hoje que tratam o leitor/espectador com total falta de respeito, subestimam a capacidade das pessoas em poder perceber o que motiva, na maioria das vezes, certas chamadas.  Manchetes olímpicas, difundidas de 4 em 4 anos, com o real intuito de influenciar a opinião pública.
 
Mas o que houve neste fim de semana foi a certeza absoluta da parcialidade devotada da imprensa conservadora.  Duas denúncias foram feitas, as duas graves em suas premissas – Carta Capital acusou Verônica Serra de ter vazado dados bancários de milhões de brasileiros em 2001, Veja acusou o filho de Erenice Guerra, ministra chefe da Casa Civil, Israel Guerra, de tráfico de influência.  Duas capas com denúncias gravíssimas, publicadas por duas grandes revistas semanais, que costumeiramente tem suas reportagens repercutidas e dissecadas nos jornais e TV’s.
 
Mas estes jornais e TV’s repercutiram APENAS a reportagem da revista Veja.  Escolha orientada? Parcialidade? Partidarização? Tudo junto!  E a perda irresponsável de credibilidade…O Cardozo está certo em sua afirmação.
 
A Rede Brasil Atual publicou um artigo de João Peres, que aponta o jogo político mais do que explícito da imprensa conservadora brasileira, confira um dos trechos em que a própria ombusdman do Jornal FSP, aponta equívocos provocados pelo avanço do sinal da prática de um jornalismo ético cometidos pelo próprio jornal em que trabalha:
 
“A vontade dos grandes jornais em mostrar episódios que possam enfraquecer a candidata Dilma Rousseff gera estranheza até mesmo dentro dessas redações. Na última semana, a Folha publicou que um erro da ex-ministra havia provocado prejuízo de R$ 1 bilhão. A notícia, sem base real, virou motivo de piada na internet, e um viral reproduzido pelo Twitter entrou para os principais tópicos mundiais da rede social.”
“…Neste domingo, a ombudsman Suzana Singer chama atenção dos editores da Folha. “O jornal avançou o sinal.” Ela complementa: “Foi iniciativa de Dilma criar a tal tarifa social? Não, foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso.” A ombudsman pede que o jornal deixe o próprio leitor chegar a suas conclusões, sem direcionamentos, e lembra que não tem havido a mesma crítica à gestão de Serra em São Paulo. “A Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes. O apartidarismo – e não ter medo de crítica – sempre foram características preciosas deste jornal.”

A irresponsável forma de levar informação à opinião pública desses veículos de comunicação, como tem ocorrido ultimamente, confirma o quanto a imprensa conservadora brasileira é filiada a um segmento político (não partidário) e o quanto são capazes de jogar o jogo da pior maneira possível.

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Publicado em 13/09/2010 por em Uncategorized.

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