Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

A internet devorando a velha mídia (o factóide devorado pela blogosfera progressista)

Este post de sete de julho último parece cobrir, em parte considerável, a extensão do dano causado à credibilidade da imprensa conservadora esta semana, pela aposta incisiva e irresponsável de alguns veículos de comunicação na sedimentação de uma “versão-verdade”, o caso do factóide dos dados fiscais violados da filha de José Serra, peça política ensaiada e executada, em conjunto por oposição e mídia conservadora para colar junto aos eleitores e reverter o quadro eleitoral.
Mas as pessoas, em saus casas ou nas discussões descompromissadas ou compromissadas, nos pontos de ônibus, no boteco, na barbearia ou no trabalho, em sua ampla maioria parecem rechaçar o fato explorado pela imprensa, é o que apontam as recentes pesquisas de opinião divulgadas entre sexta-feira e sábado.

A blogosfera se estabelece como opção de contraponto.  A blogosfera combate as versões prontas e básicas, com discussões e denúncias sobre o que se percebe nas armações políticas de reta final de campanha, o que não é novidade alguma desde 1989, a única novidade nos dias de hoje é que a associação imprensa conservadora e grupos políticos também conservadores, não consegue fazer crer à maioria  das pessoas os seus pontos de vistas parciais e favoráveis a si mesmos: 8 em cada 10 brasileiros acreditam muito pouco ou não acreditam no que a imprensa veicula!

Confiram:

O Leitor não engole mais a manipulação da imprensa, cospe de volta a desinformação e busca informação cada vez mais na internet

Antonio Lassance analisa pesquisa realizada pela SECOM (secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), que revela o quanto crítico as pessoas podem ser em relação as linhas editoriais da imprensa conservadora, o quanto a opinião pública percebe que aquilo que é, muitas vezes, veiculado, sistematicamente, como “verdade” pela mídia, pode significar o contrário para as pessoas comuns: uma campanha mentirosa.

Um número interessante é o que aponta que cerca de 80% das pessoas não acreditam ou acreditam muito pouco no que é veiculado pelos meios de comunicação e que cerca de 60% das pessoas crêem em manipulação no que é publicado.

Um ponto muito caro à velha mídia: a perda sensível de credibilidade, do velho selo: publicou é verdade! As pessoas, em sua grande maioria, estão dando conta que aquilo que veem diariamente, massivamente disponiblizado 24 horas por dia como “verdade absoluta”, nada mais é do que apenas mais uma versão, servindo a algum interesse.

Pior cenário: as pessoas não estão se identificando em um cenário político, econômico e social pintado pelos grandes meios de comunicação, não se enxergam nas realidades de crises artificiais criadas nas redações do jornalismo do “quanto pior melhor” ou do “é bom, mas é ruim”…

Resultado inquestionável do caminho segmentado e profundamente comprometido com interesses políticos e econômicos diversos e contrários à maioria dos leitores, que a imprensa conservadora brasileira vem apostando (e perdendo), para disseminar seus ideais baseado no convencimento através de uma (des)informação sem nenhuma conexão com a realidade.

Confira:

A velha mídia está derretendo

Antonio Lassance

Como um iceberg a navegar em águas quentes e turbulentas, a velha mídia está derretendo. O mundo está mudando, o Brasil é outro e os brasileiros desenvolvem, aceleradamente, novos hábitos de informação.

Um retrato desse processo pode ser visto na recente pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom-P.R.), destinada a descobrir o que o brasileiro lê, ouve, vê e como analisa os fatos e forma sua opinião.

A pesquisa revelou as dimensões que o iceberg ainda preserva. A televisão e o rádio permanecem como os meios de comunicação mais comuns aos brasileiros. A TV é assistida por 96,6% da população brasileira, e o rádio, por expressivos 80,3%. Os jornais e revistas ficam bem atrás. Cerca de 46% costumam ler jornais, e menos de 35%, revistas. Perto de apenas 11,5% são leitores diários dos jornais tradicionais.

Quanto à internet, os resultados, da forma como estão apresentados, preferiram escolher o lado cheio do copo. Avalia-se que a internet no Brasil segue a tendência de crescimento mundial e já é utilizada por 46,1% da população brasileira. No entanto, é preciso uma avaliação sobre o lado vazio do copo, ou seja, a constatação de que os 53,9% de pessoas que não têm qualquer acesso à internet ainda revelam um quadro de exclusão digital que precisa ser superado. Ponto para o Programa Nacional da Banda Larga, que representa a chance de uma mudança estrutural e definitiva na forma como os brasileiros se informam e comunicam-se.

A internet tem devorado a TV e o rádio com grande apetite. Os conectados já gastam, em média, mais tempo navegando do que em frente à TV ou ao rádio. Esse avanço relaciona-se não apenas a um novo hábito, mas ao crescimento da renda nacional e à incorporação de contingentes populacionais pobres à classe média, que passaram a ter condições de adquirir um computador conectado.

O processo em curso não levará ao desaparecimento da TV, do rádio e da mídia impressa. O que está havendo é que as velhas mídias estão sendo canibalizadas pela internet, que tornou-se a mídia das mídias, uma plataforma capaz de integrar os mais diversos meios e oferecer ao público alternativas flexíveis e novas opções de entretenimento, comunicação pessoal e “autocomunicação de massa”, como diz o espanhol Manuel Castells.

Ainda usando a analogia do iceberg, a internet tem o poder de diluir, para engolir, a velha mídia.

A pesquisa da Secom-P.R. dá uma boa pista sobre o grande sucesso das plataformas eletrônicas das redes sociais. A formação de opinião entre os brasileiros se dá, em grande medida, na interlocução com amigos (70,9%), família (57,7%), colegas de trabalho (27,3%) e de escola (6,9%), o namorado ou namorada (2,5%), a igreja (1,9%), os movimentos sociais (1,8%) e os sindicatos (0,8%). Alerta para movimentos sociais, sindicatos e igrejas: seu “sex appeal” anda mais baixo que o das(os) namoradas(os).

Estes números confirmam estudos de longa data que afirmam que as redes sociais influem mais na formação da opinião do que os meios de comunicação. Por isso, uma informação muitas vezes bombardeada pela mídia demora a cair nas graças ou desgraças da opinião pública: ela depende do filtro excercido pela rede de relações sociais que envolve a vida de qualquer pessoa. Explica também por que algo que a imprensa bombardeia como negativo pode ser visto pela maioria como positivo. A alta popularidade do Governo Lula, diante do longo e pesado cerco midiático, talvez seja o exemplo mais retumbante.

Em suma, o povo não engole tudo o que se despeja sobre ele: mastiga, deglute, digere e muitas vezes cospe conteúdos que não se encaixam em seus valores, sua percepção da realidade e diante de informações que ele consegue por meios próprios e muito mais confiáveis.

É aqui que mora o perigo para a velha mídia. Sua credibilidade está descendo ladeira abaixo. Segundo a citada pesquisa, quase 60% das pessoas acham que as notícias veiculadas pela imprensa são tendenciosas.

Um dado ainda mais grave: 8 em cada 10 brasileiros acreditam muito pouco ou não acreditam no que a imprensa veicula. Quanto maior o nível de renda e de escolaridade do brasileiro (que é o rumo da atual trajetória do país), maior o senso crítico em relação ao que a mídia veicula – ou “inocula”.

A velha mídia está se tornando cada vez mais salgada para o povo. Em dois sentidos: ela pode estar exagerando em conteúdos cada vez mais difíceis de engolir, e as pessoas estão cada vez menos dispostas a comprar conteúdos que podem conseguir de graça, de forma mais simples, e por canais diretos, mais interativos, confiáveis, simpáticos e prazerosos. Num momento em que tudo o que parece sólido se desmancha… na água, quem quiser sobreviver vai ter que trocar as lições de moral pelas explicações didáticas; vai ter que demitir os pit bulls e contratar mais explicadores, humoristas e chargistas. Terá que abandonar o cargo, em que se autoempossou, de superego da República.

Do contrário, obstinados na defesa de seus próprios interesses e na descarga ideológica coletiva de suas raivas particulares, alguns dos mais tradicionais veículos de comunicação serão vítimas de seu próprio veneno. Ao exagerarem no sal, apenas contribuirão para acelerar o processo de derretimento do impávido colosso iceberg que já não está em terra firme.

Antonio Lassance é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política

Carta Maior

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Publicado em 05/09/2010 por em Uncategorized.

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