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Exemplos vizinhos – A memória negada: os documentos da ditadura nos porões do esquecimento

Campanha da OAB pela abertura dos arquivos da repressão

A memória dos que se opuseram e não aceitaram o golpe militar, aqueles que lutaram contra o autoritarismo, o terrorismo de Estado, por perspectivas de mudanças, em um ambiente democrático, esta memória precisa ser propagada, por parte da sociedade, e reparada por parte do Estado.  A lembrança deste período necessita ser exposta e ter alcance social pleno.

O Estado, responsável por aqueles que, em seu nome, cometeram bárbaras arbitrariedades, tem que ser o ente a construir as vias para as discussões e políticas para viabilizar este reparo histórico.
A questão da abertura dos documentos referentes a repressão do regime militar contra seus opositores, se encaixa neste contexto, de poder oferecer a sociedade a informação histórica que não pode, nem deve ser renegada.   É uma escolha política a ser encarada e aprofundada, levada a cabo pelos órgãos de Estado competentes para tal missão.
Do ponto de vista de quem oprimiu é normal que tais registros não devam ser publicados, do ponto de vista do oprimido, estes documentos precisam ser mostrados e extrapolados como símbolos de um momento a ser superado. Do ponto de vista da sociedade, estes documentos devem ser necessários para corrigir trajetórias, analisá-las sob as mais diversas óticas.
O Estado brasileiro precisa equacionar, da melhor maneira, estes conflitos naturais de interesses e apresentar a sociedade o seu inquestionável compromisso com a história, com a apresentação dos registros deste período e criar o ambiente propício para a discussão.
O exemplo do governo de Michelle Bachelet
A ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, que encerrou há alguns meses seu mandato com aprovação recorde de mais 75% da população chilena, nos deu um exemplo, talvez um caminho a ser trilhado.  O do enfrentamento dos criminosos do Estado, com suas condenações, significativas vitórias da sociedade, que vão além de simples conquistas de governo.
Mas acima de tudo a criação de um museu em memória das vítimas da ditadura, tal como ela também foi , é a consagração de uma política direcionada a superação, via escancaramento, das maiores atrocidades vividas naquele país, enfim, tornar tudo aquilo exemplo do que não pode ser ajuizado como parte do jogo político.  Colocar, de maneira contundente, tudo o que aquele momento representou e que precisa ser lembrado, para não mais se repetir, pelo menos não por desconhecimento ou falta de reflexão a respeito.
O museu também representa tornar possível existência daquelas milhares de pessoas consideradas desaparecidas, trazendo-as para ocupar o espaço da memória como personagens deste período.
Bachelet iniciou uma campanha para recolher amostras de sangue de parentes de desaparecidos, a fim de criar uma base de dados genética para identificar restos mortais ainda anônimos das vítimas da ditadura de Pinochet. Cerca de 3.000 amostras já foram colhidas, segundo o IML chileno.
O texto parece óbvio, mas sinceramente, a sociedade parece adormecida, o Estado anestesiado, anos depois parece que nada de tão grave ocorreu, que precise ser revisto, condenado ou analisado, em condições claras de acesso a verdade, ou, criticamente, das versões dos fatos que ainda existam, por parte de todos ou daqueles que se interessarem.  Não é possível alcançar o futuro em melhores condições sem se guiar pelas referências do passado.
O Estado é fiel depositário dos documentos que registram a repressão do regime militar contra seus opositores, a missão dos órgãos que mantém sob sua guarda estes acervos é de preservar a memória, resgatá-la, apresentar os fatos históricos ao público em sua plenitude, sem recortes.
Afinal não é possível refletir sobre aquilo que é negado conhecer.

Leia também:
A memória negada: os documentos da ditadura nos porões do esquecimento

Links relacionados a abertura dos arquivos da repressão nos países vizinhos:
Argentina
Bolívia
Paraguai

 

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