Palavras Diversas

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O novo dossiê da Folha = Factóide + noticiário "mais do mesmo" + debate da Band + nova pesquisa Ibope + alteração no cenário eleitoral

A receita parece ser a mesma, o prato servido pela mídia, assessora de impresa da oposição, talvez não seduza mais o leitor. Até porque existem hoje outras receitas e “pratos na mesa em 2010”.

Prato requentado


A Folha de São Paulo neste final de semana saiu-se com mais um “dossiê” (afinal aquele outro não alcançou o resultado esperado), dessa vez em uma trama “pretensa-bem elaborada”, para atingir, mesmo que de raspão, o ministro Guido Mantega, um dos responsáveis pelo acerto da política econômica do governo. Segundo esta “trama”, comprovada por documentos, que somente a Folha teve acesso, o objetivo de sindicalistas da categoria dos bancários, ligados ao PT, era chantagear o ministro para indicarem o presidente do Previ, fundo de previdência do Banco do Brasil.

Segundo “fontes não identificadas”, que resolveram “falar em off” ao jornal… “Nas últimas quatro semanas, a Folha ouviu nove pessoas que fazem parte da estrutura do governo. Todas confirmaram que, para o Planalto, a cúpula do BB e a Fazenda, partiu dos bancários a produção do dossiê.”
Para manufaturar um factóide crível(?) são necessárias “fontes não identificadas”, “funcionários do alto escalão do governo”, cartas apócrifas e acusações que não podem ser provadas sem as necessárias investigações e, consequentes, ações judiciais, o que demanda tempo, mas o factóide pode ser disseminado como verdade inquestionável e alcançar, a curto prazo, o objetivo político desejado. O factóide é como uma espécie de boato ou fofoca, em que ninguém sabe ao certo quem falou o que e sobre o que, apenas se repete a máxima: “DISSERAM que fulano disse que o cicrano fez aquilo…”

O fato em si seria de extrema gravidade se fossem apresentadas evidências mínimas de sua credibilidade, que fossem além do ofício comum da produção farta de noticiário negativo contra o PT, partidos da base governista e, objetivo final, Dilma Roussef, papel a que se presta a Folha, para exploração eleitoral imediata.

Quem ainda desconhece o papel da Folha de São Paulo para a campanha de Serra e de Alckmin?
Não custa nada lembrar que Serra desabou nas recentes pesquisas, menos as do Datafolha, óbvio. O Ibope realizará nova pesquisa esta semana, uma semana após ter feito a que provocou um rebuliço no comando da campanha da oposição.
Quinta-feira será realizado o primeiro debate presidencial na Band. Semana intensa, não há tempo a perder para quem não quer perder outra eleição…

Isso tudo somado e encadeado pode ser equacionado como se segue: Factóide>> noticiário pautado pelo “novo dossiê”>> debate da Band direcionado pelas “novas denúncias”>> pesquisa Ibope com alteração no cenário eleitoral.

A confecção do fato e a publicação de nomes obriga as partes citadas e o partido a se manifestarem ou emitirem notas à imprensa e, desta maneira, realimentarem o noticiário sobre o assunto.

Por outro lado, em total sincronismo, pode criar argumentações, em cima de um fato isolado e sem comprovação qualquer, para ser explorado no debate da Band pela oposição, dominando a discussão com um “tema novo”, surgido das páginas de um órgão de imprensa, com o intuito de emparedar a candidata governista e mantê-la na defensiva durante o programa, sobrando pouco tempo para explanar sobre as políticas bem sucedidas do governo atual ou sobre os projetos de campanha.

Logo, na sequência da trama, viria a exploração das questões levantadas no debate pela oposição nos jornais impressos e televisionados, portais de internet e afins, com a confecção de manchetes ocas de sentido, mas repletas de discursos políticos direcionados. O desenrolar bem sucedido do factóide, explorado exaustivamente e replicado pelos nomes envolvidos no jornal, seria uma possível influência nos resultados da nova pesquisa Ibope, forjando a análise para uma mudança no quadro eleitoral em tão curto espaço de tempo, reanimando as tropas para a batalha…Ou seja, uma rede repercutindo um “fato” lançado, coincidentemente após a queda abissal de Serra nas pesquisas Vox Populi e Ibope.


Conjecturas, baseadas na observação de uma imprensa repetidora de receitas e pratos requentados, tentando saciar seus desejos e empanturrar o eleitor de “fatos” de procedência duvidosa.

O desenrolar da trama pode ou não confirmar o que se planeja, mas o modus operandi se revela elementar demais.


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Publicado em 02/08/2010 por em Uncategorized.

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