Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

O fim impresso do JB: menos diversidade sócio, econômica e cultural brasileiras nas bancas

capa referente aos 40 anos da edição do AI-5, onde aparece a “previsão de tempo negro”, “temperatura sufocante” e “ar irrespirável” para o país, no canto superior esquerdo do jornal: cabeçalho da edição original de 1968

Reflexos imediatos: bancas de jornal estampando notícias diárias mais “carrancudas” e tendenciosas para um só lado

Seria possível apostar em um jornalismo publicado nos jornais impressos contrapondo as idéias dos periódicos consolidados e oferecer ao leitor outras versões para um mesmo fato e ser sustentável economicamente?

Questão difícil de ser equacionada, frente a crescente queda de receita dos jornais impressos brasileiros. Queda também de credibilidade, esta de maneira espetacular e suicida praticada pelos “barões da mídia”.

Qual seria o absurdo de uma política de socorro financeiro do Estado para salvar jornais regionais baseados em linhas editoriais de interesse público, prestador de serviços e defensor dos interesses nacionais? Não é “dar” dinheiro a fundo perdido, mas financiar, exigindo contrapartidas econômicas e de fundo social, por exemplo.
Os governos destinam recursos financeiros a muitos setores da economia: latifundiários, empreiteiras, exportadores e inclusive os gigantes da comunicação tem acesso a financiamento dos bancos públicos para tocar seus projetos de expansão. Por que não poderia haver financiamento público para estimular uma editoria que apresentasse informação sobre outro viés, mas sem ser apêndice do Estado e equilibrando o jogo da disseminação de informação social? Garantir ao cidadão acessar nas bancas toda a diversidade possível de informação econômica, social e cultural que um país como o Brasil dispõe, deveria ser tratado como política pública de governo, mas, infelizmente, a rica diversidade de todo o contexto social do povo brasileiro subexiste, hoje, desprestigiada em pequenos espaços marginais, esmolados pela imprensa conservadora predominante.

O encerramento das edições impressas do Jornal do Brasil é um exemplo triste de um marca histórica, ligada aos interesses nacionais, que já abrigou grandes nomes do jornalismo progressista deste país, que, sem conseguir manter suas atividades e sem apoio de financiamento público, não estampará mais as suas manchetes nas bancas de jornal.

O pensamento único aumenta seu espaço, não pela sua própria capacidade de expansão, pois também sente o gosto amargo do recuo comercial, mas essencialmente pela redução do espaço opositor de suas idéias. Mesmo partindo para a disputa virtual na internet, o JB deixará milhões de leitores, diretos e indiretos, que ainda não acessam a rede mundial de computadores sem uma outra opção de informação.
O noticiário estampado nas bancas, em especial às do Rio de janeiro, ficará mais “carrancudo” e profundamente mais tendencioso para um só lado a partir de 1 de semtembro de 2010.

Leia também

O fim do Jornal do Brasil impresso e o papel do jornalismo público

Beto Almeida

“…Enquanto a Argentina tem o jornal Página 12, o México tem o La Jornada, a Bolívia tem o jornal Cambio – criado há apenas 8 meses e já é líder de vendas – a Venezuela tem o Correio do Orenoco, todos fazendo o contraponto da linha editorial da imprensa oligárquica, teleguiada pelos interesses estrangeiros, no Brasil temos o domínio completo de uma imprensa anti-nacionalista e anti-popular. Não por acaso, com hostilidade unânime à candidata de Lula. São estes jornais e revistas contra a nacionalização do petróleo, criticam a reconstrução da indústria naval, exasperam-se com a valorização do salário mínimo, insistem na tese conservadora da disciplina fiscal, da austeridade, do corte de gastos, quando, evidentemente, o país precisa aumentar decididamente os investimentos públicos para dar sustentação ao crescimento econômico, que lhe permita reduzir as disparidades internas e as vulnerabilidades externas.”


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Informação

Publicado em 22/07/2010 por em imprensa conservadora.

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