Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

A candidatura Serra e algumas questões vazias de sentido real

Gilson Caroni desmonta o que é a montagem política de Serra 2010

Quais são os planos reais de uma candidatura quando esta é lançada?
Quais são suas legítimas postulações? Onde se escoram suas pretensões políticas e em que se apóia?
Qual base social sustenta suas promessas?
Respondendo estas ou algumas destas questões, dá pra compreender quem quer chegar onde.
Mas quando se renega suas próprias bandas políticas e se aventura no discurso do que sempre condenou , negou ou combateu, o que será legítimo na dissimulação?
A candidatura de Serra e todo o grupo político que o apóia, além da “prestativa assessoria de imprensa” da mídia conservadora brasileira, entregam o que realmente pretende alcançar…Apesar de tentarem torná-lo o novo na política, o genuíno pós Lula, Serra e a oposição que o referencia, representam, nitidamente, o velho. A leitura que se faz daqueles que o festejam, sem nenhum entusiasmo, desnudam a candidatura oca, sem qualquer respaldo popular, das tristes imagens de atos públicos de campanha sem a presença do agente principal: o povo!
Quem sustenta isso? Questões…

Serra, um press release perigoso
Gilson Caroni Filho

Sem fortuna nem virtù, a candidatura Serra deve ser encarada como de fato se apresenta: uma irresponsabilidade política que busca construir sua persona a partir de clichês oratórios de desqualificação da principal oponente, a ex-ministra Dilma Rousseff. O teatro político que pretende montar, tentando se valorizar no jogo da sucessão, pode vir a se revelar o fracasso da temporada, não só pela fragilidade pessoal do ator como pela biografia do elenco de apoio. Mais dia menos dia, terá que descer a cortina, encerrando a apresentação.

Quando diz não ser “ventríloquo de marqueteiro nem de partido, nem de comitês, nem de frações, nem de todas aquelas organizações antigas de natureza bolchevique, que do bolchevismo só ficaram com a curtição pelo poder, porque utopia não ficou nenhuma”, importantes perguntas se impõem. Afinal, por quem fala José Serra? Ou, melhor: quem, dissimulando o timbre natural da própria voz, fala por ele? Quem é o boneco nesse jogo mal-ajambrado?

A coligação oposicionista é uma gigantesca operação de engodo promovida pela mesma dupla (PSDB/DEM) que, entre 1994 e 2002, se superava, dia após dia, em matéria de socialização de prejuízos privados e entrega do patrimônio público. Em oito anos o país quebrou duas vezes, as dívidas, interna e externa, cresceram descontroladamente. O grau de dependência se precipitou e a desigualdade alastrou-se.

O descaso com a questão social – vista até hoje pelos tucanos como um estorvo para as contas do governo – fez com que a miséria e o aviltamento dos salários se expandissem. Dados do Banco Mundial, em 1997, apontavam 36 milhões de brasileiros com renda inferior a US$30, o que explica o número assustador de crianças que trocavam a infância e a escola pelo trabalho precoce. Enquanto isso, o governo FHC excluía o imposto sobre as grandes fortunas do seu pacote fiscal. Quebra-se o país, jamais um banco, ensinava o príncipe dos sociólogos.

Em 2001, a mudança no fluxo de capitais agravaria o desequilíbrio externo brasileiro, com a entrada de recursos estrangeiros caindo US$ 10 bilhões em relação ao ano anterior. Para piorar a situação, cresceria a remessa de lucros e dividendos, devido à crescente internacionalização da economia ocorrida na segunda metade da década de 1990. Tudo isso levava a uma valorização excessiva do dólar.

E o que fazia FHC e seu séquito diante da crise do modelo? Segundo o Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo (Simpi), enquanto 80% das microempresas estavam inadimplentes, o governo arquitetava, via BNDES, o socorro das grandes corporações endividadas em dólar. De fato, uma garantia ao mercado que “aquelas velhas organizações bolcheviques” jamais ousariam dar.

É o retorno de catástrofes dessa natureza que a candidatura Serra promete. O neoliberalismo, expressão recente da direita, não hesitará em fazer uso de conhecidas “reengenharias” para destruir o Estado, deixando sobreviver somente os órgãos que garantam os interesses mercantis. Serra é o ventríloquo de um grupo que está convencido de que é necessário reciclar o manual de terra arrasada. O pequeno remanejamento da aliança partidária que deu apoio ao governo de FHC não traz novidades substantivas. O que é o PPS senão o adorno de conhecidos arrivistas?

O DEM (antigo PFL) tem um histórico de hipocrisia, cinismo e empulhação. A mudança de nome, apontada por suas lideranças como primeiro passo de ajustamento necessário, não resistiu a duas primaveras. A operação “Caixa de Pandora”, apontando o governador de Brasília, José Roberto Arruda, como principal articulador de um esquema de corrupção envolvendo integrantes do seu governo, empresa com contratos públicos e deputados distritais, revelou o DNA da “novidade”.

Das minúcias, futricas, esperneios, conselhos e advertências desse espectro político, a grande imprensa recolhe a matéria-prima para fazer seus boletins de campanha. José Serra, o acaciano retórico, produto híbrido do latifúndio com a banca, é um personagem de press release. Não deve ser levado a sério quando fala em modernidade. Seu projeto autoritário precisa da mídia com poder de Estado e do mercado como única instância de legitimação.


Carta Maior


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2 comentários em “A candidatura Serra e algumas questões vazias de sentido real

  1. Cláudio Ribeiro
    11/07/2010

    Bem vindo Paulo!
    São questões que não podem passar ao largo…
    Visitarei seu blog, com certeza!
    Abs e volte sempre!

    Curtir

  2. Paulo Tamburro
    11/07/2010

    OLÁ CLAUDIO,

    QUEM É ESSE TAL DE SERRA?

    NOSSA ESSE CARA É MUITO RUIM, SÓ EMPLACA EM são SÃO PAULO.

    NÃO CONHECIA O SEU BLOG.

    ACHEI REALMENTE, MUITO INTERESSANTE E TENHA A CERTEZA DE QUE VOLTAREI SEMPRE AQUI.

    TAMBÉM, APROVEITO PARA CONVIDAR VOCÊ A CONHECER O MEU BLOG:

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Publicado em 11/07/2010 por em Uncategorized.

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