Palavras Diversas

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A "Patriotada" da cobertura política-eleitoral, a parcialidade de sempre

Papel da imprensa conservadora: Como proteger seu aliado de si mesmo

A cobertura das eleições 2010 têm uma similaridade impressionante com a patriotada que a Globo dá aos jogos da seleção, onde só se fala do time brasileiro e evita-se qualquer análise séria dos adversários.
Na cobertura política ocorre o mesmo, mas aí a “patriotada” da Globo é substituída pela “parcialidade” da grande imprensa conservadora brasileira, onde a Globo também se situa. Esta cobertura busca oferecer ao leitor o que há de “melhor” na candidatura que apostam, e polemizar ao máximo contra àquelas que confrontam.
As últimas semanas foram intensas de “parcialidade”, do tipo “patriotada” de Galvão Bueno e seus comentaristas asseclas.
A quantidade de fatos que a candidatura de Serra esteve envolvida, a maioria de aspecto negativo, mas logo isolada pela “linha de fundo” dos editoriais é o sinal do tipo de jogo que estão dispostos a jogar os grandes grupos de comunicação. Amenizar, esconder ou mesmo dar novo significado ao dito ou decidido, é a senha dessa cobertura, comprometida com a falsa pretensão de levar ao leitor/ouvinte/internauta/telespectador informação imparcial, relevante e consistente, analisada apenas à luz dos fatos… Apenas pretensão, pois o que se vê é justamente o contrário.

A crise envolvendo os partidos de oposição pela propriedade do cargo de vice de Serra foi um momento tenso e de gravidade para os tucanos, as frases ditas pelos principais políticos do consórcio que apóiam Serra ofereceu fatos explosivos para detonar a sua candidatura, material farto para matérias que poderiam expor a fragilidade dessa candidatura, que rompeu compromissos internos sérios e poderia mostrar ao eleitor a falta de crédito na defesa de qualquer proposta exógina aos seus conhecidos pressupostos políticos.
O que fez a imprensa? Apenas pequenos comentários, colunistas renomados passando panos quentes, destaques contidos, ou pelo espaço editorial, ou pelos espaços de tempo e de páginas ao longos dos dias…E quando se escolhe um nome de um político desconhecido do resto do Brasil, trata-se de dourá-lo, como aquele nome capaz de atrair o voto da juventude e de progressistas, disseram os “especialistas” em política. Alguém se perguntou: baseados em que afirmam isso? Índio não tem esse voto da juventude e tampouco dos progressistas, os números das últimas eleições do Rio de Janeiro confirmam isso (pouco mais de 120 mil votos), mas os “baluartes da imprensa livre e imparcial” apostam na desinformação para informar…

Como dar novo significado ao conselho de Serra para seu vice, o silvícola do DEM? “Ele me disse por telefone: ‘não tenho amantes. Eu até disse: ‘também não precisa exagerar”. Um deslize infeliz, ainda mais considerando o contexto da disputa eleitoral: Serra concorre contra duas mulheres. Fato explorado pela “imprensa amiga de oposição tucana”, apenas pelo viés do humor, pela expontaneidade inocente (sincera?), não se viu nenhum editorial repreendendo o político mais expeiente dessas eleições. A edição seguinte ao fato bizarro foi um “passar de mão na cabeça” do tucano e defendê-lo dos erros que comete contra si mesmo…E a pergunta: e se Dilma tivesse falado algo similar? e se Marina falasse algo do tipo? Haveria a complacência da imprensa e esse tom defensivo de que nada importante foi dito ou feito?


A cratera do Metrô de São Paulo e a queda de um elevado do rodoanel de São Paulo, ainda em construção, ferindo pessoas e causando enormes prejuízos, tudo isso durante o governo de Serra, não mereceram condenações ou responsabilizações por parte da imprensa, mas uma cobertura morna e providencial para os tucanos de São Paulo: espaço generoso para dizer que o Estado iria averiguar os acidentes com rigor, punir os responsáveis (o Estado também não é responsável, através de seus gestores?) e avaliar os prejuízos causados ao cidadão…O óbvio, nada além disso, mas o suficiente para a imprensa local e nacional, considerar-se satisfeita e “vida que segue”…

Outro fato que a imprensa tratou de criar e logo após, fracasso ocorrido, correu para desfazer qualquer previsão: Aécio era tratado como a pílula capaz de tornar nova e progressista a campanha da oposição, mas como vice! Isso mesmo! Impressionante, mas foi isso que os editorialistas conservadores fizeram durante meses para tentar convencer o eleitor que Aécio, como vice de Serra, seria a solução para o Brasil! Uma tese difundida pelos “barões da comunicação”, mas perversa e inconsistente: perversa para as pretensões políticas de Aécio e para leitor intencionalmente sendo desinformado, além de inconsistente em suas premissas, oras se é a solução tem que ser titular, não um suplente…diria qualquer cronista espotiva.
Aécio negou-se, sistematicamente a aderir a essa esdrúxula formação, reiteradamente disse não a todas as perguntas nas reportagens que concedeu sobre ocupar essa suplência. Ou seja, o maior nome da oposição, segundo a própria oposição, negou-se a entrar nesse trem sem rumo certo, analogicamente o mesmo, tirada as gigantescas proporções, que Dilma implorar apoio a Lula e esse ficar imóvel onde está…
O que fez a imprensa? Nada…tratou de “analisar” novos rumos e tendências, substituiu a análise dos fatos, pela manufatura de fatos. Coligou-se aos institutos de pesquisa, leia-se Ibope e Datafolha, para criar quadros favoráveis a sua candidatura sem qualquer selo de legitimidade ou aspiração da sociedade ao novo que se autoproclamam.

As recentes pesquisas de opinião do Datafolha e do Ibope, realizadas no período do ápice da crise entre os caciques da oposição e o conselhinho inocente de Serra ao Índio, deu a ele incrível liderança no sul do país, segundo o Datafolha, e liderança nacional, confirmada pelo empate observado pelo Ibope: pesquisas que contradizem os fatos e os números divulgados pelo próprio Ibope, uma semana antes! Qual fato novo que sustentam os “especialistas”, apressados em dar explicações ao malabarismo estatísticos desses institutos: foi a propaganda na tv que provocou o “fenômeno”, mais especificamente no sul, onde Serra cresceu, inexplicavelmente de 38% para 50% em tão pouco tempo e onde parece haver um eleitor muito influenciável pela propaganda política da TV fora do período eleitoral, diferente do resto do país, segundo o Datafolha…



É o fato substituído pela análise da fato manufaturado, para criar um novo fato. Complicado? Pois é, produzir números para influenciar números: pesquisas feitas com o intuito de manter vivo aquilo que capenga e para influenciar a opinião das pessoas nas próximas pesquisas, apoiadas pelas análises dos “especialistas em quase tudo”, em rádio, tv, portais da internet, que comprovem, baseadas em números (fabricados) a tendência de crescimento de Serra.
Ainda é difícil compreender. Mas a máxima disso tudo, pesquisas, amenizações ou desconsideração de erros grotescos, crises ressiginificadas e editoriais “ultraparciais” talvez seja: começar o jogo no 0X0! Sem vantagem para o adversário…A “Patriotada” da cobertura política-eleitoral, a parcialidade de sempre.


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Um comentário em “A "Patriotada" da cobertura política-eleitoral, a parcialidade de sempre

  1. Arison
    04/07/2010

    Muito bom texto. Leva-nos à reflexão. Seria interessante analisar a campanha de Dilma sob o prisma equivalente, certamente não da imprensa conservadora, mas talvez da máquina do governos que certamente faz uma espécie de “contraponto”, combaendo comsuas armas do outro lado. Não há ingênuos neste embate. E é muito bom ver as “fraquezas da alma” dos dois lados.
    Arison.

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Publicado em 04/07/2010 por em Uncategorized.

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