Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Quando a suplência é mais importante que a titularidade: o drama da oposição

Discurso não-dito: não há novidade sedutora na oposição.

Imaginem um técnico de futebol que, para vencer seu adversário, prioriza a escalação de seu banco de reservas!?!
Pois é o que parece acontecer na candidatura da oposição, fato estranhíssimo, mas por demais esclarecedor. A candidatura de Serra não representa o novo, o pós-Lula, na verdade traz o ranço do governo FHC, do qual Serra foi ministro, da saúde e do planejamento, ou seja, é um personagem ligado a um governo extremamente rejeitado pelo povo brasileiro.
O lance político, neste episódio, está em trazer alguma novidade para a candidatura oposicionista, alguma renovação, um alento para romper o corner de apoios esperados, para ir além dos grotões conservadores.

A crise está instalada, porque até o momento não conseguiram alguém, ou por escolha da cúpula tucana ou por voluntarismo, que se encaixasse no papel ou aceitasse o fardo. É um fato claro de crise, de falta de rumo e discurso renovador, os personagens da trincheira da tríade PSDB/DEM/PPS priorizam a escolha do vice, como o fato mais importante. É um discurso não-dito: o que temos não basta para seduzir ninguém como novidade.

As tentativas frustradas passaram por Aécio Neves, governador mineiro que também disputava a indicação de titular do posto de candidato a presidência, com potencial capacidade de agregar votos lulistas em Minas Gerais para Serra, dourar a pílula do discurso neoliberal e tornar o velho, algo novo e sedutor, politicamente falando.
Aécio declinou, preferiu “servir” à Minas como senador…


Marina Silva, neo-verde, também foi cogitada, representando o elo entre o voto conservador serrista e os descontentes com Lula, mas não conservadores. O projeto verde de Marina ignorou o convite, agradecida negou a possibilidade de abandonar o próprio barco à entrar em uma candidatura à deriva da falta de identidade e representação mais amplas, o que é de suma importância para qualquer campanhacom sérias pretensões vitoriosas.

Kátia Abreu, senadora do DEM pelo Tocantins, foi outro nome sondado, que “não evolouiu”. Suas ligações com o que há de mais atrasado no meio rural deste país, não agregaria votos, pois estes votos Serra já detém. Alguém que está a frente dos ruralistas e dissemina a violência no campo, poderia até tirar alguns votos de eleitores desavisados. Outra recusa, agora da cúpula do partido.

Tasso Jereissati, senador tucano pelo ceará, seria a jogada para atrair voto nordestino para Serra, mas tasso preferiu disputar o senado, mais uma vez, onde é favorito e poderá manter seu mandato em uma empreitada mais plausível, do que em uma disputa hercúlea contra Dilma Roussef e a imenso apoio popular do presidente Lula. É bom lembrar que Tasso é muito próximo a Ciro Gomes, um dos maiores apoiadores do governo Lula no nordeste, onde ocupou o Ministério da Integração Nacional, que é desafeto e inimigo declarado de Serra…

Sem representação, política e social, inovadoras, conciliadoras e sedutoras, do ponto de vista eleitoral, nehuma candidatura alternativa ao que está estabelecido e bem avaliado pelo conjunto da sociedade, consegue equilibrar e disputar com reais condições de vitória. Este é o grande drama da oposição, que sem um grande titular e sem uma suplência confiável, parece fadada a jogar para perder de pouco, mesmo com o “juiz do jogo” fazendo vistas grossas às suas jogadas desleais e a mídia cobrindo apenas o que lhes interessa.

Itamar Franco, também desafeto de Serra foi tentado, mas não aceitou, preferiu o senado…

São muitas recusas, uma crise blindada pela mídia no comando da campanha da oposição e questões esdrúxulas: não seria o nome do titular da chapa o elemento agregador e potencial conquistador de votos e aliados? Por que a insistência da oposição em buscar a novidade do discurso no nome escolhido para a suplência?

Qual o verdadeiro sentido dessa encenação? Parece-me, cada vez mais claro, que a crise estabeleceu-se na campanha tucana, a falta de rumo político se apresenta pelas negativas e tentativas frustradas de buscar algo que não possuem. Não fosse a blindagem amiga da imprensa conservadora, que tanto implicou com os nomes do PMDB para vice de Dilma, como se isso representasse o fim de suas possibilidades eleitorais, hoje a candidatura de José Serra estaria prestes a implodir.

Mas não será o caso de escalar mesmo um time reserva, já que os titulares jogam de forma bastante conhecida, as mesmas táticas e jogadas previsíveis? O placar já começa a ficar desfavorável, o moral da equipe pode cair no certame e ver distanciar melhor sorte que em 2002…

Confira trechos desse drama, conforme destacado abaixo no site Vermelho:

Serra deve seguir sem vice após convenção do PSDB; DEM pressiona

O ex-governador José Serra será oficializado neste sábado candidato do PSDB à Presidência sem ter a seu lado a figura que completa a foto da campanha: o vice em sua chapa. Dificuldades de composição política e a esperança recentemente enterrada de ter o mineiro e companheiro de partido Aécio Neves como seu parceiro formal levaram a definição para depois do dia 20 de junho.
A escolha do nome seguirá roteiro oposto ao trilhado por sua adversária do PT, Dilma Rousseff. Foi o PMDB quem sugeriu o nome de Michel Temer (PMDB-SP) como opção. A ex-ministra, que desde o início disse que a escolha caberia ao PMDB, não se opôs à indicação.

Com Serra, é diferente, dizem membros do partido e de sua campanha. Será o tucano quem apresentará sua opção aos partidos aliados. “Só uma pessoa terá apito nesse processo: Serra”, disse um integrante do PSDB sob condição do anonimato.

A roupa de vice já vestiu mais de uma dezena de manequins do DEM, PSDB, PPS e PP. Até agora, nenhum foi confirmado.(…)

Demos protestam

O Democratas, aliado preferencial dos tucanos, pressiona pelo posto. Diziam no passado só abrir mão do “direito” se Aécio aceitasse a vaga. Sem ele, porém, consideram-se donos naturais da vaga.

O problema é que setores da campanha tucana resistem em pinçar um nome originário de lá. A crise do mensalão do Distrito Federal deu discurso a esse grupo. Por isso a tese da chapa pura encontra tanto abrigo.

“Nós dependemos deles, mas eles também dependem de nós. Nós marcamos nossa convenção para o último dia de junho. Você acha que isso foi por acaso?”, disse um importante democrata sob condição de não ser identificado.

Mesmo com a ameaça dissimulada, muito pouca gente acredita que o partido decidiria não participar da coligação de José Serra. O Democratas está em crise e vem diminuindo de tamanho a cada eleição. O PSDB, portanto, é a única âncora que tem por ora.


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Publicado em 13/06/2010 por em Uncategorized.

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