Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

A imprensa e seus alvos editoriais: escolhas muito duvidosas e parciais…

“Isenção da imprensa conservadora brasileira”

Para quem ainda crê na “isenção” dos meios de comunicação, principalmente aqueles que detém significativa parcela da audiência, cabem algumas observações:

Por que será que estes meios de comunicação não praticam o jornalismo que privilegia o contraditório, ofereça espaços iguais, quando acusam e quando fazem o mea culpa do que erraram?

Outra questão, não menos importante, por que estes meios de comunicação não oferecem espaços para a diversidade de opiniões políticas, econômicas, sociais…mesmo que defendam as suas teses?

Talvez resida aí a maior fragilidade da imprensa conservadora: a construção de um modelo único de pensamento, o que alguns jornalistas independentes já apelidaram de P.U.M. (Pensamento único da mídia), que só favorece a manutenção das coisas como elas são, sem espaço para novas interpretações, outros pensamentos, pois consideram que outras opiniões possam representar risco aos próprios interesses. Mas os exageros editoriais que cometem, os confinam em um nicho de leitores, tão conservadores quanto os que disseminam os preceitos conservadores como verdades absolutas em seus espaços jornalísticos. As pessoas não legitimam as manchetes de jornais ou qualquer outra mídia, aquilo que é abordado de maneira contrária a realidade que essas mesmas pessoas vivem, em seus cotidianos, a crise de credibilidade que esses órgãos de imprensa vivem hoje aponta isso. A tentativa de mascarar uma realidade a base da tinta impressa ou de imagens editadas, configura claramente o exercício despudorado, no embate político parcial, da defesa de interesses próprios e de seus parceiros econômicos. Não é jornalismo, não é função social, é apenas agenciamento político, com recortes favoráveis e escancarados.

Então vejamos exemplos concretos desse agenciamento político da imprensa conservadora brasileira, no recente cernário político:

“Comando do DEM sai em defesa de Rodrigo Maia”

Esta matéria, envolve o presidente nacional do Democratas, Rodrigo Maia, líder máximo do partido que apóia Serra, do PSDB, nas eleições presidenciais, no escandalo do mensalãodo DEM do DF.
O fato foi noticiado, o exemplo do link do Estadão comprova isso, mas logo, incrivelmente, esquecido, relegado a “uma insignificância” por parte desses jornais e agentes políticos da imprensa, o que comprova o papel que desempenham fielmente e o lado que travam nessa batalha.

O fato é importante, de uma gravidade incômoda para o partido citado, visto que o seu presidente, um dos maiores articuladores da candidatura Serra, estar envolvido no esquema de desvios de verba do ex-governador do DF, José Arruda. Mas a imprensa conservadora não levou adiante as gravíssimas denúncias contra Rodrigo Maia, não aprofundou as investigações, preferiu aceitar uma nota do mesmo, apesar de farto material e depoimentos que complicariam e muito o tal deputado e a cúpula do DEM. Fizeram silêncio, escolheram outras teses, outros alvos, resolveram, solenenemente, desinformar as pessoas.

O novo alvo, talvez para encobrir as perigosas e explosivas relações dos partidos de oposição na crise infindável do mensalão do DEM no DF, foi a aposta editorial no “suposto dossiê”, na “palavra de um contra o outro”, em que não há investigação alguma, fato concreto, senão um factóide criado para abafar uma crise no “lado de lá”, muito mais sério:

“Serra diz que Dilma é responsável por suposto dossiê da oposição”

O “suposto dossiê” é explorado diariamente nos jornais e na tv, mas ninguém é informado sobre o suposto teor do dossiê, que na verdade se trata de um livro de um renomado jornalista e suas revelações. Fala-se no “santo”, mas ninguém sabe qual é o “milagre” feito…Então fica-se batendo na tecla desse mesmo assunto, trazendo à cena políticos, da oposição, para condenarem o fato, falação de ex-agente da PF (delegado Onésimo), ligado a um político do PSDB (Marcelo itagiba, ex-PF), também ligado a Serra…Uma rede com interesses próprios para atacar, sem provas, e se garantir na mídia, como vítimas daquilo que ninguém diz o que é. Uma estratégia um pouco perigosa, mas referendada pelos gigantes da comunicação do país.

A imprensa tem que cobrir, investigar, mas precisa, acima de tudo, embasar suas questões, apresentá-las de forma inteligível e coerente, não como um artefato político frágil aos olhos dos leitores atentos. Fica parecendo cortina de fumaça, ocupação de espaço com uma notícia, sem pé nem cabeça, para encobrir outra, muito mais séria e grave.

O que se percebe são escolhas. Muito duvidosas e parciais…O desserviço do papel social dos meios de comunicação, da má qualidade do serviço que prestam ao leitor, da tinta usada para alcançar benefícios políticos e desinformar.


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Publicado em 11/06/2010 por em Uncategorized.

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