Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Indústria de factóides


O compulsivo ofício da desinformação de setores da grande imprensa

Anatomia da desinformação e fabricação de um factóide, um caso explícito do jornalismo desinformativo e comprometido até as últimas linhas, econômica e politicamente!

A matéria de O Globo começa com uma chamada forte, para chamar a atenção do leitor para um assunto presente no dia-adia das pessoas, a sucessão presidencial. A manchete cita o nome de um dos candidatos, Dilma Roussef, e aponta uma suposta crise em seu comando de campanha, segundo os responsáveis pela matéria, uma disputa por espaço internamente e que por conta dessa disputa apresentariam um dossiê para municiar a candidatura da ex-ministra:

Campanha de Dilma entra em crise após descoberta de suposto dossiê contra Serra

No corpo do texto é montado o factóide. Mas um leitor mais atento percebe que a chamada da matéria não se sustenta e que o “tal dossiê” é mencionado por “integrantes da campanha de Dilma”, ou seja, pessoas que supostamente confiariam ao O Globo (jornal radicalmente opositor a candidatura da ex-ministra) uma versão de crise interna, não são, logicamente, identificados. Em um determinado trecho as “fontes” negam a espionagem. Cabe a pergunta: então como os “intrépidos jornalistas” chegaram a conclusão daquilo que afirmam na manchete? Suas “fontes não identificadas” negam o “fato”? Deduziram? Ou apostaram numa idéia (fixa)?
Os responsáveis pela matéria elaboraram um clássico factóide: apoteótico e com fontes não identificadas (inventadas) e frases do tipo: “segundo integrantes do…” ou “uma fonte muito próxima da…” que ajudam a dar “crédito” ao fato.

A matéria avança e em nenhum momento é informado qual seria o teor do suposto dossiê contra a filha de Serra…Percebe-se que apenas serviu para elaborar uma chamada explosiva e atrair a atenção do leitor, um mero detalhe, sem nenhuma importância… O texto em nenhum momento aponta o real motivo da montagem do dossiê, quais seriam os ilícitos que tornariam factível a juntada de tais documentos, já que ninguém criaria um dossiê sobre “as bondades” de alguém…

A matéria é montada não para informar, mas para confundir, lançar dúvidas, listar nomes e fatos sem nenhuma ligação com o suposto dossiê e os “fatos” que nele constam contra Verônica Serra. Um texto desconexo, inteiramente comprometido, não com o leitor ou com o serviço de informar, mas, acima de tudo, DESINFORMAR, ou “mostrar serviço a chefia”…

O discurso político desses panfletos, travestidos de diários, não trazem ao leitor informações, mas um conjunto de informes descontruídos e desassociados da realidade política, econômica e social, são, em vias de regra, artefatos intencionais para construir ou destruir, dependendo de quem ou o que seja o alvo.

A imprensa conservadora brasileira vive uma crise de credibilidade sem precedentes, o volume da queda de suas receitas de vendas e publicidade são alarmantes, sua incapacaidade de formar opinião pública demonstra claramente o declínio que vivem. A concorrência com a internet e variados blogs na função de informar e/ou de diversificar a informação retira desses órgãos o poder de “oficializar o fato”, rotulá-lo como verdade absoluta, inquestionável. Hoje essas práticas do mau jornalismo estão rebaixadas a sua verdadeira dimensão: uma versão entre tantas outras. Uma versão comprometida pelo lado político que militam e panfleteiam diariamente em suas páginas.

Clique e leia:
O exemplo do factóide clássico em um panfleto político

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Publicado em 02/06/2010 por em Uncategorized.

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