Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Qual o significado do (sucesso do) governo Lula?

O que é Lula enfim? O que significa o sucesso do seu governo?

Como um presidente que não goza da simpatia de setores importantes da imprensa nacional, alcança ao fim de um mandato de oito anos expressivos índices de popularidade?

Todo tipo de análise é feita diariamente em jornais, tv, rádio, portais de internet, discursos políticos, da oposição e da situação, mas nada, creio eu, na minha parca capacidade de compreender tal fenômeno visto de tão perto, pode sublinhar, destacar, expressar, explicar, sem um viés político: contrário ou favorável.

Aposto na mudança de paradigmas de seu governo, naquilo que o sustenta: o respaldo popular! O tratamento dispensado àqueles que mais necessitam do Estado brasileiro, aponta, em parte de onde vem tanta popularidade.

Mas quero crer mais!

Creio no simbolismo de seu sucesso no inconsciente coletivo de um povo tão sofrido, que se identifica com sua liderança e o respeita como tal, como um deles.


Lula é o símbolo de que o povo é capaz de ascender e alcançar um país melhor, com justiça social. O povo parece crer nisso no seu dia-a-dia, na quitação do carnê da geladeira nova, da casa própria, na poupança sagrada de quem sonha dias melhores. Isso não é pouco na vida das pessoas! Porque o seu fracasso, se viesse, significaria, por muitas gerações, a vitória do discurso das elites brasileiras de que o povo precisa ser dirigido pelos “do andar de cima”, por aqueles que “entendem a realidade” brasileira e sempre governaram para “mudá-la”, que este “tal de Lula” veio interromper décadas de desenvolvimento social “alcançado” com suas idéias “comunistas”. Sua derrota seria um “balde de água fria” na alma do povo brasileiro, significaria, além de tudo, a derrota do próprio povo brasileiro.

Quando as coisas vão mal o governo é o alvo da reclamação, da lamúria, de ricos e pobres, mas quando as coisas vão bem, é o governo também o seu alvo de reconhecimento, pelo menos por parte dos mais pobres que acreditam na mudança em suas vidas. Some-se a isso uma figura carismática, liderança nata, que, mesmo sem o ensino formal, é capaz de “pôr no bolso” qualquer doutor, em qualquer debate político/econômico/social.

Lula não é um santo, nem se deve pintá-lo dessa forma, mas é o personagem quem conduz e, habilmente, supera obstáculos para transpor a realidade perversa desse país, mesmo que ainda haja muito o que fazer.

O governo Lula errou em muitas situações, escolhas políticas equivocadas, por exemplo, mas que a história se encarregará de apontar tais erros em seus pormenores científicos. Creio que tais equívocos, muitas vezes, foram cometidos na busca precipitada do equilíbrio político, representado pela governabilidade legitimada na maioria do parlamento, aprovando matérias de interesse do Executivo, barganhadas, miseravelmente, por aliados oportunistas e de última hora. Aqueles mesmos que Lula e o PT tiveram que combater para chegar ao poder em 2002, e que alguns se misturaram e cometeram práticas nefastas, condenadas pelo partido e seu capital moral construído ao longo de mais de vinte anos. Erros também históricos, assim como não enfrentar os fantasmas do passado, punir os responsáveis pelos excessos cometidos na ditadura. Faltou ir até os “porões da república” e fazer a faxina. O preço que os “aliados de última hora” e oportunistas de sempre apresentaram na “fatura”.

Os acertos? Ah os acertos, estão aí a olhos nus, na política social vitoriosa e reconhecida internacionalmente como o maior programa de transferência de renda do mundo, no maior conjunto de investimento do Estado brasileiro das últimas décadas, na política externa independente e ativa, no crescimento com distribuição de renda, nos sólidos pilares da economia, que suportou o turbilhão da maior crise econômica desde 1929, como se fosse apenas uma “marolinha”, nos investimentos que possibilitaram tornar realidade as descobertas históricas do pré-sal, na criação de dezenas de universidade e escolas técnicas, na criação recorde de mais de 12 milhões de empregos com carteira assinada, e tantos outros números expressivos…

O que é Lula enfim?
Qual é a sua corrente de comunicação que alcança as pessoas comuns diretamente, sem os “intermediários” da imprensa? A linguagem simples de Lula, que o faz ser identificado por aqueles que emprestam sua atenção a ele, ao mesmo tempo também o torna desprezado por uma parte conservadora da sociedade que não aceita a sua “ritual simplicidade” na condução de um cargo, tradicionalmente, ocupado por representantes de famílias tradicionais, pelas elites desse país. Sorte que o povo é maioria e parece consenso seu juízo sobre esse governo.
A história se encarregará também de decifrá-lo, longe das manchetes políticas de jornais, rádios, TV’S e portais da internet, que buscam arranhá-lo, desconstruí-lo, em que parte considerável da imprensa, que se confunde entre órgão de informação social e partido político de oposição, sistematicamente faz diariamanente. Mas que, para o infortúnio desses agentes da mídia, testemunham o crescimento popular radical de um presidente sem apoio da imprensa, desprezado por setores raivosos da classe média, mas alavancado pelo reconhecimento espetacular do povo brasileiro e de organismos e personalidades internacionais.

É pouco isso?

Sou movido a escrever tão superficial texto, pelo testemunho de ter vivido períodos inteiros, na recente história brasileira, sem horizontes, e por acreditar que o bom momento do país de hoje, é também o meu, de minha família e de muitos amigos, e está, mesmo que incompreendido em sua essência, transformando socialmente esta terra, porque é uma conquista da sociedade, em sua esmagadora maioria, que legitima e fortalece as políticas públicas do governo Lula, eu sou parte dessa mudança, é capital meu também! A Transformação tem sido contínua, mas creio e espero, que se aprofunde, corrija mazelas enraizadas, seculares, que o mais otimista dos otimistas crê que possa acontecer durante sua existência. Ao menos superando as injustiças e perversidades sociais para níveis insignificantes, perseverando conquistas que necessitam o povo brasileiro alcançar.

Sou exemplo dessa mudança, da mobilidade social desses novos tempos, tais como tantos outros exemplos pessoais que vi acontecer.
Esses oito anos abriram as portas para o entendimento do contraditório e dos caminhos incontestáveis de independência nacional, apesar daqueles que fazem pouco caso disso, ou por interesses contrariados, ou por incompreensão do fenômeno social ainda tão aproximado. Quero crer que o papel do governo Lula seja o significado definitivo de que o povo brasileiro é capaz e sábio em seu juízo e suas escolhas, sem necessitar de “tutelas superiores”, que é capaz, além do mais, de ser fiador da esperança de um futuro mais próspero, garantidor de que as mudanças podem ocorrer, quando necessárias à melhor qualidade de vida da maioria.

Leia também:
Revista Der Spiegel: Lula salta para a primeira divisão da diplomacia mundial

Anúncios

Deixe aqui seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 30/05/2010 por em politica.

Democratização da mídia, apóie!

Seja amigo do Barão!

Digite seu e-mail para seguir este blog e receber notificações de novos posts.

Junte-se a 3.450 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: