Palavras Diversas

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Desqualificar o papel ativo de Lula na diplomacia mundial: como operam os traidores na imprensa

O discurso da submissão aos interesses externos, o colaboracionismo de setores da imprensa nacional…

Mauro Santayana classificou, com feliz clareza, aqueles que se levantam contra o posicionamento brasileiro no cenário político internacional recente e resmungam mau humorados à espera de uma derrota: Traidores!

A ação desses “(de)formadores de opinião” é similar à de um nativo que “prepara o terreno”, para o invasor se estabelecer e enfrentar menos hostilidades possíveis. Isso se dá também na propagação de idéias apequenadas do papel de um país como o Brasil na diplomacia internacional (o que seria de Ruy Barbosa nos editoriais dos jornais dias de hoje?), referência regional e liderança de bloco de países, como o G20. Alguns jornalistas e meios de comunicação se mobilizam para desmerecer e desqualificar os movimentos da diplomacia brasileira, usam verbos e adjetivos para “nos colocar” no lugar que merecemos: segundo esses, na submissão inconteste aos interesses dos norte americanos e seus aliados.

Um papel político mal acabado, a serviço de quem precisa nos manter longe das discussões globais, em que os países emergentes tem cada vez mais voz, participação e influência. Mas os colaboracionistas dizem que não podemos tanto, apesar de dizerem por aí, que podem mais. Não, não podem mais subestimar e desmerecer o papel desafiador que o governo brasileiro traçou para si e em respeito aos interesses nacionais, em um cenário político internacioanl cada vez mais embaralhado e diverso.
Aos traidores o rodapé da história e os verbetes que merecem.

Ao excelente texto:

De como exercer a ousadia moral

Por Mauro Santayana

Velha teoria explica as guerras generalizadas como inevitável irritação da História: as situações envelhecem e se tornam insuportáveis, para estourar nos conflitos sangrentos. Alguns as veem como autorregeneração do mundo, ao contribuir para o equilíbrio demográfico. Outros a atribuem à centelha diabólica que dorme no coração dos homens e incendeia o ódio coletivo. O mundo finará sem que entendamos a fisiologia do absurdo. Para os humanistas, são repugnantes os massacres coletivos tanto como os assassinatos singulares.

De qualquer forma, a História tem como eixo a tensão permanente entre guerra e paz; entre a competição e o entendimento; entre o egoísmo que se multiplica no racismo e a solidariedade internacional. Uma coisa é inegável: quando os mais fortes querem, não lhes faltam argumentos trôpegos para justificar a agressão. La Fontaine soube reduzir esse comportamento no diálogo entre o lobo e o cordeiro. Quando o lobo quer, os filhos são responsáveis por falsas culpas dos pais e as águas sobem os rios.

É interessante registrar, no episódio da questão do Irã, algumas dúvidas que assaltam o homem comum. A primeira delas – e devo essa observação a um amigo – é a do direito de os possuidores das armas atômicas decidirem quem pode e quem não pode desenvolver a tecnologia nuclear. Mais ainda, quando o árbitro maior é o governo do país que a usou criminosamente, ao arrasar, sem nenhuma razão tática ou estratégica, duas cidades inteiras e indefesas do Japão. Reduzidas as dimensões do absurdo, podemos aceitar como lícitas as associações criminosas, como as dos narcotraficantes dos morros. Possuidores de bom armamento, impõem sua lei às comunidades e constroem sua própria legislação, cobram tributos e exigem obediência, sob a ameaça dos fuzis e da tortura. Chegaremos assim a uma sociologia política, abonada indiretamente por Weber e outros, que admite todo poder de facto, sem discutir sua legitimidade ética.

O momento histórico é de grande oportunidade para a Humanidade – e de grande perigo, também. A República dos Estados Unidos é um lobo ferido em suas entranhas. Por mais disfarcem o choque, a eleição de Barack Hussein Obama lanhou as glândulas da tradição conservadora da Nova Inglaterra. A águia encolheu suas asas. A maioria dos estados e, neles, a maioria dos eleitores, decidiu por um homem mestiço, filho de pai negro e mãe branca, nascido em uma colônia dissimulada em estado, o Havaí; e que passou o período mais importante da formação, o da adolescência, na Ásia: na Indonésia muçulmana e no arquipélago em que nasceu.

No inconsciente coletivo, os Estados Unidos já sentem a decadência, que se acelerou com o neoliberalismo. Eles poderão administrá-la com inteligência, integrando-se em uma Humanidade que necessita, com urgência, de novos parâmetros e de nova tecnologia, capazes de preservar a natureza, hoje em acelerada erosão, ou entrar em desespero. Se entrarem em desespero, conduzirão o mundo a nova guerra, mas isso não parece provável, diante da crescente consciência antibélica de seu povo.

Por enquanto os falcões parecem contar com a Europa e com a China, no caso do Irã. Mas não há, nos horizontes movediços de hoje, país suficientemente forte, capaz de impor-se aos demais. A Europa desce a ladeira, com sua bolsa de euros de barro, e a União Europeia se encontra ameaçada de fragmentação. A China é uma nebulosa impenetrável. O capitalismo financeiro descolou-se de qualquer compromisso ético, se é que o teve um dia. O sistema se torna mais selvagem quando se vale dos instrumentos tecnológicos de operação universal e instantânea.

É nesse momento que a presença do Brasil começa a impor-se no cenário internacional. Não temos armas atômicas, não dispomos de exércitos numerosos e bem equipados, mas somos chamados a manter o bom-senso, e manter o bom-senso é exercer a ousadia moral.

Digam o que disserem os quislings* domésticos, o Brasil ganhou o respeito do mundo ao buscar a paz no Oriente Médio. Se contribuirmos para evitar o conflito, nosso será o mérito; se não houver o êxito, fica, na História, o testemunho de um esforço destemido e honrado – e não menos meritório.

http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=21300

Leia também: “Uma questão diplomática”

Clique e saiba: Quisling*


Bete Carvalho cantou “…Vou festejar, vou festejar o teu sofrer, o teu penar…”

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2 comentários em “Desqualificar o papel ativo de Lula na diplomacia mundial: como operam os traidores na imprensa

  1. Claudio Oliveira
    01/08/2013

    Gostei Muito mesmo deste site, espero e que possa estar saido nos maiores meios de comunicaçao e que estejas no Youtube, no Google, na Ask, r7noticias… realmente Gostei muito da Novidade!

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  2. Cabo Tino Nassif
    11/07/2010

    É no mínimo irônico que Mauro Santayana, um canalha sobre o qual não existe dúvida alguma que tenha sido um quisling a serviço de ditadores estrangeiros aponte o dedo a alguém chamando de traidor.

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Publicado em 20/05/2010 por em ERA LULA.

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