Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Repercutindo: Uma análise da "isenção" da cobertura política da Folha

O texto do Rodrigo Vianna analisa um dado pra lá de transcendental, mas pouco científico…Quer dizer que a Folha de São Paulo faz uma enquete em seu site para perguntar aos seus leitores se a cobertura do jornal é isenta? O resultado apenas confirma o óbvio: claro, os leitores do jornal, em sua maioria absoluta, acham que sim, a cobertura do jornal é isenta. Científico!
Não precisa mais eleição em outubro, faz-se enquetes nos sites dos grandes veículos de comunicação e teríamos o resultado divulgado rapidamente, sem grandes custos e de acordo com os interesses do PIG. Sonhar não custa nada.

Estes veículos de comunicação jogam uma cartada decisiva nas eleições desse ano, até por questão de sobrevivência. A vitória do modelo de governo do presidente Lula significará mais 4 anos, sendo pessimista, ou 8 anos dirigindo o país, consolidando políticas públicas que a FSP e outros grupos conservadores da imprensa brasileira tem verdadeiro asco, que contrariam interesses econômicos poderosos. O pior (para eles), é que tanto tempo governando poderá formar um novo tipo de consciência política no povo, calcada na realidade dos fatos, nos avanços sociais alcançados que se traduzem em ganhos tangíveis, aquilo que as pessoas podem sentir no dia-a-dia, como emprego, renda, moradia, enfim, perspectivas claras de ascenção.

O que ocorre é que esses grupos, aí se destaca a FSP, estariam caminhando rapidamente para uma segmentação radical e perigosa de seus negócios, se confinando em um nicho de leitores conservadores e ultraconsevadores, com pouca renovação entre os mais jovens e a nova classe C, a classe média surgida do fenômeno da ascenção social em massa dos últimos anos. Significaria pregar apenas para os já “crentes”, sem alcançar àqueles que não creem neles.
Em 2006 os “não crentes” não deram ouvidos às suas manipulações, 2010 pode repetir a recusa do “velho” travestido de “novo”…

Vamos ao texto:

Leitor serrista aprova, é claro, a cobertura da “Folha”
por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador

O jornal da família Frias, que adora olhar para o próprio umbigo, deu essa manchete no domingo: “Leitor aprova cobertura eleitoral da Folha”.

Os números estão resumidos assim na reportagem: “Segundo pesquisa Datafolha realizada junto ao leitorado do jornal nos dias 19 e 20 de abril passados, a grande maioria (74%) não considera que a Folha favoreça alguma das pré-candidaturas à Presidência.

Entre os que veem algum favorecimento, 13% apontam o tucano José Serra como beneficiado pela cobertura. Os que veem tendência a favor da pré-candidata petista Dilma Rousseff são 6%.”

Mas o dado mais importante estava no “pé” da matéria (como dizemos no jargão jornalístico). O DataFolha revela, em números claros, a proporção de “tucanismo” entre seu leitores. Vejam como o leitor do jornal pretende votar em outubro: 54% Serra, 18% Marina e 15% para Dilma.

A desproporção com o total do eleitorado brasileiro é evidente: mesmo nas (estranhas) pesquisas do DataFolha, Serra tem 8 ou 9 pontos à frente de Dilma (no Sensus e no Vox Populi eles estão empatados). Mas entre os leitores do jornal, Dilma fica atrás até da Marina!

Está tudo lá, na “reportagem” de domingo – http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u729037.shtml

Ou seja: os leitores – serristas em sua grande maioria – não enxergam problema algum no fato de o jornal publicar ficha falsa de Dilma, ou dar espaço para um artigo absurdo contra o presidente da República – com insinuações até de violência sexual…

Esses números mostram que o caminho sectário adotado pelo jornal não tem volta. Virou uma cilada.

O jornal parte cada vez mais para a direita… O leitor de “esquerda”, ou afinado com o governo Lula, se afasta da “Folha. O que acontece? O jornal fica cada vez mais refém de um núcleo duro de leitores conservadores.

Em “O Globo” esse processo já está muito mais avançado. Basta ler o “painel de cartas”

Para manter-se vivos, jornais como ”Folha” e “O Globo” vão se afundar cada vez mais nesse gueto do jornalismo que virou partido (apesar de não assumir que é partido – a não ser em declarações desastradas como a de Judith Brito, diretora da ANJ – Associação Nacional de Jornais – que declarou: “com a oposição fragilizada, quem faz oposição é a imprensa”).

Em pouco tempo, a aprovação à cobertura eleitoral da “Folha” vai subir para 80% ou 90% dos leitores. E o jornal fará manchetes cada vez mais satisfeitas, a mostrar o total entrosamento entre sua linha editorial e o público leitor.

E ainda tem gente no governo Lula que leva a “Folha” a sério, dá entrevista pra esse jornal, escreve artigo pra esse jornal…

Blog Escrevinhador, Rodrigo Vianna

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Publicado em 06/05/2010 por em Uncategorized.

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