Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

Universalização da internet banda larga essencial para a democracia brasileira

Instituto sugere que governo deve melhorar a situação da banda larga no Brasil

Estudo aponta o PNBL como fundamental para popularizar o serviço

André Sartorelli, do R7

Em um relatório apresentado nesta segunda-feira (26), o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sugere que o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) deve ter um papel importante na popularização desse tipo de serviço no Brasil.

– Os governos devem liderar o caminho para a expansão da banda larga, visto que os países que a priorizaram como um serviço universal já estão colhendo resultados altamente positivos. As políticas de massificação da banda larga devem ser implementadas de modo integrado.

O órgão – responsável por pesquisas que forneçam suporte técnico e institucional às ações comandadas pela Presidência da República – explica que, num futuro próximo, a internet em alta velocidade será tão popular quanto a TV, mas enfrenta vários fatores que limitam seu crescimento.

Nas regiões Norte e Nordeste, todos os municípios de pequeno porte e toda a área rural precisam receber infraestrutura para internet rápida, segundo a análise. Uma das medidas apontadas como necessárias é a ajuda financeira (subsídios) para que as desigualdades regionais sejam diminuídas.

A conclusão é que isso deve chegar por meio de investimentos públicos, ou seja, pelo PNBL, além de uma revisão jurídica com o objetivo de contemplar o mercado de internet e não mais o serviço de telefonia fixa.

O Ipea explica que o todo o processo de popularização deve levar em conta a inclusão cultural, educacional e profissional.

Plano Nacional ainda não saiu do papel

O objetivo do PNBL é popularizar o sistema, que, apesar de ter crescido nos últimos anos, ainda é caro e pouco eficiente. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que o acesso à internet em casa somente por banda larga passou de 41,2% para 80,3% do total de usuários brasileiros, entre 2005 e 2008. O preço estudado é de até R$ 35 por mês.

O plano está sendo discutido no governo desde meados do ano passado. No final de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu estudos mais detalhados para ver quanto custaria ao governo montar uma estatal para atender também ao consumidor final, com o objetivo de baixar o preço da banda larga.

O investimento a ser feito no programa vai de R$ 3 bilhões até R$ 14 bilhões, dependendo do modelo escolhido pelo governo – se vai oeferecer apenas a rede ou a conexão completa.

O governo ainda não apresentou um modelo do plano que contemple os interesses públicos e das principais empresas privadas que atuam no setor.

R7

Banda larga é cara e chega a menos da metade dos municípios brasileiros

Em uma lista com 20 países, o Brasil está em 5º lugar como a internet rápida mais cara

André Sartorelli, do R7

O Brasil tem a 5ª banda larga mais cara em uma lista com 15 países e o serviço de internet rápida está presente em menos da metade dos municípios do país. Os resultados fazem parte de um estudo divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado à Presidência da República.

Os dados se referem ao terceiro trimestre de 2009 e indicam que a baixa densidade do serviço se deve principalmente ao preço cobrado pelas prestadoras, considerado caro pelo órgão – isso acontece pelo baixo nível de competição entre as empresas, impostos caros e baixa renda da população. Em Estados como Amapá e Roraima, a internet em alta velocidade é inexistente. No Amazonas, Maranhão, Pará e Piauí menos de 5% dos municípios têm essa facilidade.

O oposto é verificado no Sul e Sudeste. O Paraná tem 93,2% cobertos por banda larga, índice semelhante ao do Rio de Janeiro (90,2%) e de Santa Catarina (95,2%). São Paulo chega a 70,1%. No Centro-Oeste, o destaque é o Mato Grosso do Sul (98,7%) e Distrito Federal (100%).

O Ipea destaca a forte concentração do mercado nas mãos da empresa líder em cada município. Em cerca de 86% dos municípios que possuem uma empresa dominante, tal companhia presta serviço para oito em cada dez clientes.

A banda larga chega a todos os 14 municípios do país que têm mais de 1 milhão de habitantes, mas atinge 44% das cidades com até 100 mil pessoas. A explicação é que, nas grandes cidades, o custo para a instalação das infraestrutura é menor que no interior.

Comparação com outros países

O preço da banda larga no Brasil é quase cinco vezes mais alto do que na França e dez vezes mais do que nos Estados Unidos. Numa lista com 20 países, o Brasil saiu do primeiro lugar como a banda larga mais cara em 2008 e, no ano passado foi para 5ª posição, deixando pra trás a Argentina, índia, Chile e China.

Em 2009, o gasto médio com banda larga no Brasil equivalia, proporcionalmente, 4,58% da renda mensal do brasileiro. Na Rússia, o índice era de menos da metade: 1,68%. Nos países desenvolvidos, é de 0,5%, ou seja, quase dez vezes menor que no Brasil.

Em outra comparação, o Brasil tem a menor penetração de banda larga fixa em uma lista que compara a situação em 31 nações que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), entidade internacional composta por países que aceitam os princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado. As melhores situações são encontradas na Holanda, Dinamarca, Noruega, Suíça e Coreia do Sul.

R7

Comentário

As notícias em destaque deste post são esclarecedoras: a internet rápida no Brasil é cara e concentrada nas regiões mais desenvolvidas do país e o Estado deve prover investimento maciço para corrigir essa deformação, seguindo exemplos bem sucedidos de países que avançaram nesta área.

O serviço realizado por empresas privadas, as mesmas que cobram altos valores pelo uso da internet rápida, em locais densamente povoados, contam com boa infraestrutura, servem-se destes cenários apenas e tão somente para alcançar os resultados que planejam alcançar em seus planos de investimentos mercadológicos: o lucro, apenas o lucro…

Nas demais regiões onde o serviço chega a poucos lares, não há interesse em investimento em massa por parte dessas empresas, coincidentemente empresas que detém o (quase) monopólio da informação disseminada nos meios tradicionais de comunicação e também de internet. Some-se a isso o custo ser ainda maior para quem está na periferia do país poder acessar informação na rede. A imagem terrível da concentração de conhecimento, segue a histórica concentração de renda no país, o saber é nos dias atuais é divisa.

Apesar dos dados da pesquisa do IPEA e do projeto do governo de levar internet rápida e barata a todos, com uso da estrutura remanescente de uma estatal, a Telebrás para gerir este serviço, visando socializar o acesso a informação pelo cidadão comum, com tarifas baixas ou subsidiadas, o que se vê é um bombardeio ao plano nacional de banda larga por parte dos representantes dos grandes grupos de comunicação e seus “porta-vozes” mais apegados a idéia de quanto menos gente se informando, melhor…ou esse “osso” eu não largo…

Porque no final das contas o que está em jogo é isso: o direito do cidadão comum de obter informação, também pela internet, rápida e diversificada, carregada de variantes econômicas, políticas, sociais e culturais, enriquecendo seu conhecimento global ou local, em todos estes contextos, a quem não interessa uma sociedade mais consciente?

O governo provou do sabor amargo da monoinformação disseminada por parte desses grupos que dominam os meios que publicam e destacam certas informações sobre os mais variados temas durante todo o segundo mandato de Lula. O “coro” afinado em defesa da manutenção dessa realidade desigual não se dá por acaso, ocorre graças ao modelo concentrador que existe hoje no negócio da internet banda larga e na defesa corporativa destes grandes grupos e seus mais variados interesses. Romper este modelo é democratizar também este filão e oferecer condições mínimas de competição aos mais diversos players hoje existentes e tantos outros que poderiam entrar nessa disputa.

A batalha hoje é desigual, apesar dos milhares de blog independentes agindo contra os “gigantes da informação”, o poder concentrado destes grupos impede o acesso maciço das pessoas, por internet rápida, de suas casas, tal como é possível assistir tv, seja de uma tribo indígena no Pará ou no complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
Quanto mais gente acessar internet de suas casas ou de centros de internet populares mais a informação poderá chegar a essas pessoas, com possibilidade de conhecer o contraditório, às diversas opiniões de um mesmo fato, enfim, oferecer às pessoas condições adequadas para desmascar farsas montadas diariamente por uma imprensa que domina os meios de comunicação.

A internet é a nova fronteira do desenvolvimento da comunicação em massa, combater essa concentração criminosa e danosa ao povo brasileiro que hoje existe é imprescindível para a circulação de informação, não apenas desse “lixo” circulante que domina a internet e o meios de comunicação tradicionais, acompanhadas de campanhas caluniosas, interesses políticos e/ou financeiros travestidos de informação, que agem somente para desinformar e tentar formar a opinião pública “na marra”.

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Publicado em 27/04/2010 por em Uncategorized.

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