Palavras Diversas

Desde 2010 observando política, mídia e sociedade

A "grande imprensa brasileira" e suas necessidades vitais de monopólio da "verdade"


As operações políticas da “Grande Imprensa” brasileira são também resultados inquestionáveis de uma outra disputa: negócios cada vez mais vantajosos e partilhados por um grupo cada vez mais seletivo.

As escolhas políticas da “grande imprensa” brasileira, na história recente do país, mais precisamente a partir de Sarney, passando por Collor, FHC I e FHC II e das derrotadas escolhas de Serra (2002) e Alckmin (2006), vão além da afinidade política,também se escoram nos acertos que possibilitem a manutenção do acúmulo cada vez mais desigual do faturamento publicitário.

Ou seja: 2010 é mais uma tentativa desesperada de manter o status quo de quem sempre teve poder absoluto de formar opinião pública e que se mostra incomodado e enfraquecido em um cenário de divisão do bolo publicitário em plataformas mais justas e democráticas.

O texto a seguir de Paulo Henrique Amorim apresenta a aposta política radicalizada de meios de comunicação tradicionais, assim como suas conhecidas práticas de mau jornalismo, e suas necessidades urgentes de barrar uma democratização da informação e suas já sentidas repercussões.

———————-

Só o Serra salva as empresas do PiG (*). Daí, o desespero

por Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada

Na revista Carta Capital desta semana, na pág. 27, Leandro Fortes conta
que a Folha ?demorou CINCO DIAS para publicar o desmentido enviado pela
assessoria da candidata e reconhecer formalmente o erro?.

O erro foi um erro ou foi de propósito ?

O erro foi inventar uma frase que a Dilma não disse: “eu não fugi da
luta e não deixei o Brasil”.

Nos cinco dias em que a Folha censurou a carta de desmentido, o PiG
dançou e rolou em cima do “erro”.

A Folha já tem uma rubrica no passivo com a Dilma: a ficha falsa.

E a circulação da Folha é a que mais cai, dos jornais impressos.

A Abril e a Veja “a última flor do Fáscio” não sobrevivem a outro
mandato presidencial sem compras maciças de livro escolar.

O negócio de revistas desaba, a ponto de a internet, hoje, ter mais
publicidade que as revistas.

A situação da Globo é a mais crítica.

Ela faz negócios escusos com o Serra, à luz do sol.

Como a operação para o Serra agasalhar um terreno que a Globo “como a
Cutrale” invadia há 11 anos, num ponto valorizado da cidade de São
Paulo.

O bolo publicitário da tevê brasileira não cresce, significativamente.

A TV Globo, durante trinta anos, cresceu com uma equação 50% de
audiência e 75% da verba publicitária.

Como a tevê absorve 50% de toda a publicidade brasileira, ela tinha 75%
de 50%, ou seja, de cada R$ 1 investido em publicidade no Brasil, ela
ficava com R$ 0,37.

Essa equação inaceitável num regime de democracia mudou.

O bolo não cresce e as concorrentes começam a tomar audiência e
faturamento dela.

Ela não vai conseguir ser o que é, com menos audiência e menos dinheiro.

A qualidade vai cair e a concorrência se acirrará.

No campo da imprensa escrita, a Globo acaba de ganhar em seu território,
o Rio, um adversário considerável, o grupo português “Ongoing” ler na
Carta Capital desta semana, na pág. 50.

O “Ongoing” lançou um jornal de negócios, o Brasil Econômico, para ir
para cima do Valor, que é da Folha e do Globo, e acaba de comprar um
jornal popular no Rio, O DIA.

Os portugueses querem ir para a televisão

E já entraram nos nichos do mercado onde há oxigênio para a imprensa
escrita: o popular e de negócios.

Ou seja, a Globo passou a ter um corrente de peso a lhe morder os
calcanhares, já que o grupo vem de Portugal com variados interesses
empresariais.

Logo no início do Governo Lula, o professor Wanderley Guilherme dos
Santos dizia que a mídia impressa brasileira só tinha um poder
remanescente: o de gerar crises.

(Como, agora, a de Belo Monte)

Gerar crises para tomar uma grana do Governo.

É o que faz o PiG.

E mais, como demonstrou a presidente da associação dos jornais: hoje, no
Brasil, o PiG é a oposição.

(Ainda mais que o candidato da oposição não tem o que dizer. A não ser
que sempre foi candidato. O que sempre se soube.)

Esta eleição de 2010 coincide com o aparecimento de uma nova realidade
empresarial: a entrada da internet no jogo e a democratização das fontes
de informação.

O PiG brasileiro só tem uma salvação.

Eleger o Serra.

Pelo menos no Data-da-Folha.

Daí, o desespero.

Paulo Henrique Amorim

*PiG é a expressão criada pelo deputado petista Fernando Ferro que Paulo
Henrique Amorim ajudou a popularizar.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/paulo-henrique-amorim-so-serra-salva.html

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5 comentários em “A "grande imprensa brasileira" e suas necessidades vitais de monopólio da "verdade"

  1. Vv
    30/04/2010

    Amigo,

    VEJA esse filme: ARQUITETOS DO PODER.

    Um mergulho na relação entre mídia e política no Brasil, destacando a evolução das técnicas de propaganda nas campanhas eleitorais – de Getúlio a Lula.

    Direção de Vicente Ferraz e Alessandra Aldé.

    http://cinema.uol.com.br/ultnot/multi/2010/04/06/04021B3464D8C98326.jhtm?trailer-do-filme-arquitetos-do-poder-04021B3464D8C98326

    Vi no Festival é Tudo verdade.

    Um retrato do que é PARTE da mídia no Brasil. PARTE.

    Bjs, Vivi.
    extraviodemim.blogspot.com

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  2. TANIA
    28/04/2010

    E preciso divulgar sempre que a popularidade do presidente Lula e alta independente desta pig como midia. O povo nao e bobo e reconhece estas manipulacoes. E coisa de sentir na plele, na carne. Os pobres sabem, os negros sabem, os doentes sabem, os estudantes sabem. Dilma vai dar um banho neles. Eu so espero que com 16 anos de democracia conseguimos falar de ovo o portugues, sem ter de ter :ongoing como nome de empresas, ou mais serio ainda, uma palavra em ingles para cada 5 em potugues

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  3. Lohanna
    26/04/2010

    Parabéns, a proposta do Blog é ótima!

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  4. Biosfera
    24/04/2010

    Além do texto, a imagem está excelente…

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  5. Robson
    23/04/2010

    Veja, Globo e Serra Phodem Mais!

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Publicado em 21/04/2010 por em politica.

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